Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/03/2019
Em 2017, o ator norte-americano Kevin Spacey, protagonista da série “House of cards” foi demitido após diversas denúncias de assédio sexual. No entanto, tal situação não se restringe ao meio cinematográfico, mas também é uma realidade no Brasil. Nesse contexto, o machismo e a impunidade são fatores que dificultam a redução dos casos e devem ser combatidos.
De início, nota-se a herança histórico-cultural de pensamentos e atos machistas, visto que as mulheres, principais vítimas de assédio sexual, foram marginalizadas e destinadas apenas à reprodução na história brasileira. Isso por conta do “habitus”, como defende o sociólogo Pierre Bourdieu, os comportamentos de determinadas épocas são neutralizados e reproduzidos nas gerações futuras. Dessa forma, a objetificação colabora para a persistência de comentários de cunho sexual e gestos inapropriados em público.
Paralelo a isso, a desvalorização das vítimas evidencia a negligência do Poder Público. Embora o assédio sexual seja crime, segundo a Organização ActionAid, 86% das mulheres brasileiras já vivenciaram em espaços públicos. Com isso, percebe-se a continuidade da questão e a dificuldade em denunciar em virtude do “habitus” e subjugação já que infelizmente, por vezes, as vítimas podem ser culpadas. Por consequência do medo e vergonha essas pessoas podem desenvolver distúrbios comportamentais e psicológicos.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de reduzir os casos de assédio sexual no país. Para isso, o MEC deve desenvolver nas escolas palestras e campanhas com a participação de homens que mudaram comportamentos machistas e criar ações educativas, por meio de peças teatrais, a fim de induzir o respeito e acabar com a romantização do assédio desde cedo. Ademais, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia desenvolver um aplicativo ligado às delegacias especializadas com o intuito de agilizar a denúncia e diminuir a impunidade. Quem sabe, assim, a situação melhore. melhorar.