Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 07/03/2019
Historicamente causador de inúmeras vítimas, o assédio sexual contra a mulher não é uma invenção do século XXI, durante o Brasil Colônia incontáveis índias e africanas foram assediadas, estupradas e violentadas física e psicologicamente pelos colonizadores, que implantaram a cultura de estupro que se perpetua, de fato, até a contemporaneidade. ‘‘Elogios" ofensivos e constrangedores, corpos violentados e tocados e sem consentimento caracterizam e concretizam a cultura do estupro no Brasil. É inegável que o medo de ser assediada e violentada assola toda e qualquer cidadã brasileira.
Nunca foi dada a devida importância à objetificação feminina. Músicas, novelas, filmes e postagens em redes sociais propagam diariamente a ideia de que o valor da mulher está diretamente ligado às sua condutas morais, incentivando inúmeros homens a assediarem, maltratarem e violentarem corpos femininos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 86% das mulheres brasileiras já foram assediadas, enquanto 44% delas tiveram seus corpos tocados sem consentimento.
Convém lembrar que o assédio sexual acontece em qualquer ambiente. Na rua, no trabalho, na escola e até mesmo em casa. Assovios e toques vindos de estranhos na rua são factuais no cotidiano da mulher brasileira. A segurança da mulher é praticamente inexistente, visto que, a sociedade patriarcal vigente insiste em culpar a vítima em casos de assédio psicológico e sexual. Convive-se diariamente com as consequências dessa infeliz realidade, incontáveis mulheres desenvolvem diversos problemas psicológicos, como a depressão, graças ao assédio sofrido. Segundo o escritor Coelho Neto “é na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”, partindo desse pressuposto pode-se dizer que a cultura de estupro e a minimização da dor e dos valores femininos são propagados e perpetuados de pai para filho, reforçando os costumes machistas e patriarcais presentes no país.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. O Ministério da Educação deve oferecer palestas destinadas à comunidade que visem ensinar pais e filhos como respeitar toda e qualquer figura feminina. Deve-se distribuir livros didáticos que abordem o assunto de forma clara e mostrem as consequências do assédio. As palestras devem ocorrer mensalmente e contar com a presença de especialistas como psicólogos e educadores sexuais que possam ensinar a crianças e adultos que qualquer corpo só deve ser tocado com consentimento e que a culpa nunca é ou será da vítima.