Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 07/03/2019
O medo e as mulheres
As mulheres sempre foram invisibilizadas na história da humanidade. Na década de 50 e 60, a mulher esteve presente na esfera do lar, fazendo crer quase que, biologicamente, seu único papel era cozinhar e lavar, enquanto, seus maridos saiam para trabalhar e ganhar o sustento da casa. Esse esteriótipo contribuiu para a construção de que as mulheres são criadas para agradar aos homens, não importando sua vontade própria. Diversos casos de assédios surgem do pensamento masculino de achar que os corpos femininos estão sempre disponivéis para o seu prazer. Diante dessa realidade, pode-se afirmar que as mulheres não são livres, pois vivem diariamente o medo de terem seus corpos violados.
De acordo com a cantora de jazz Nina Simone, liberdade é não ter medo, podemos então afirmar que as mulheres não possuem liberdade, pois vivem a todo instante, não importa o local, o medo de sofrer um abuso. Casos de assédios sexuais em empresas, escolas, faculdades, na indústria cinematográfica, nos próprios lares são cada vez mais recorrentes. Uma mulher usando uma roupa curta na rua, se relacionando com muitos homens, bebendo em um bar sozinha, andando de táxi sozinha, andando em uma rua escura, está “pedindo” pra ser estuprada, transferindo para a vítima a culpa. Essa é a cultura do estupro que ainda está presente intensamente na sociedade.
Movimentos feministas, atrizes, cantoras, ativistas de todos os lugares do mundo vem lutando para acabar com essa cultura, incentivando as mulheres denunciarem caso ocorra com elas. Diversas campanhas são criadas para consientizar os homens que tocar nos corpos femininos sem permissão não é mais algo aceitável, não importa as circunstâncias. É desafiador, principalmente, porque no final, a justiça nunca é feita e os assediadores costumam ficar impunes. A falta de representatividade de mulheres nos governos, nos tribunais, nas delegacias contribui para a banalização desses casos, já que dificilmente homens passam por situações parecidas e sempre julgam que a culpa foi da mulher.
Portanto, é imprenscidível campanhas governamentais para consientizar toda a sociedade contra o assédio sexual, leis que apliquem punições mais rigorosas para os assediadores, mulheres em delegacias e tribunais para que possam julgar esses casos e escolas junto com os familiares que ensinem desde a educação infantil aos meninos o respeito com as meninas e seus corpos. Todos podem contribuir denunciando e ajudando mulheres no momento que ela estiver passando por um assédio. Não se cale, quando você se cala, você escolhe o lado do abusador.