Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/03/2019
O movimento feminista surgiu durante o século XIX, sobre a influência do Iluminismo e da Revolução Francesa,tem como objetivo a luta por direitos igualitários entre homens e mulheres. Nesse contexto, vários direitos foram conquistados ao longo da História como o sufrágio, a igualdade jurídica, a obrigatoriedade da equiparação salarial, a abertura de delegacias de atendimento especializado a mulher, etc. Entretanto, hodiernamente apesar dos avanços, ainda há muito a ser alcançado, haja vista a persistência da desigualdade de gênero que se manifesta, por exemplo ,nos diversos casos de assédio sexual. Dessa forma, é fulcral que essa problemática seja analisada e combatida.
Em primeira análise, é perceptível que a violência de gênero está diretamente relacionada à cultura do estupro. Nessa perspectiva, apesar da Lei 10.224 que tipifica o assédio sexual como crime a mentalidade de grande parte da sociedade sobre a figura feminina não mudou, pois não enxerga os assobios, olhares insistentes, comentários de cunho sexual e xingamentos como um tipo de agressão. Tal fato ocorre devido a cultura do estupro que se manifesta no ambiente que banaliza, legitima e justifica a violência contra a mulher, através da disseminação da ideia de que o valor dela está ligada as suas condutas morais e sexuais e a do homem não. Dessa maneira, essa cultura naturaliza o assédio por ver como normal o “fiu-fiu”, o abraço apertado do chefe, a proximidade e o toque sem consentimento no metrô e ônibus, promovendo um comportamento permissivo a opressão.
Ademais, é notório a objetificação do corpo feminino como fator preponderante para a perpetuação de práticas preconceituosas e desrespeitosas. Nesse panorama, o corpo da mulher é visto como algo público em que a aparência importa mais do que outros aspectos que a define como indivíduo, o que pode ser observado nas peças publicitárias, principalmente de bebidas, que promovem a hipersexualização das mulheres, por exemplo, o outdoor da empresa ‘skol" veiculado em 2015 que dizia “deixe o não em casa” e “topo antes de saber a pergunta”. Desse modo, a publicidade é o espelho da sociedade, a qual continua sexista e patriarcal, retirando o direito de escolha da mulher e delegando ao homem, o que dissemina o assédio sexual.
Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse.Para isso, cabe a escola fornecer mais informação aos seus alunos,por meio de palestras e debates com professores de sociologia, filosofia e história, os quais expliquem a luta pelo direito das mulheres, a importância do movimento feminista e a manutenção da desigualdade de gênero, para que haja uma mudança de mentalidade e comportamento da sociedade. Além disso, o governo deve promover campanhas que estimulem as mulheres a denunciarem os casos de assédio, a fim de diminuir esse tipo de violência.