Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/03/2019
Muitas vezes, andando na rua, é possível presenciar olhares de vários homens direcionados a alguma mulher, independente da roupa que ela veste, se está sozinha ou acompanhada, se é de dia ou de noite. Em época de festa, como no Carnaval, isso se torna ainda mais comum e agressivo. Essas são as situações de assédio mais presentes no dia a dia. Nas músicas antigas, possuem trechos que de primeira parecem inofensivos, mas analisando bem, pode ser uma reprodução de um discurso machista abraçado pela sociedade como algo natural. Tudo isso contribui para a objetificação da mulher, uma imagem de alguém que precisa sempre estar a disposição do homem para ter o tipo de relação que ele quiser, sem negar, e se negar, está só fazendo “charminho”.
A mulher sempre foi diminuída na sociedade, vista como frágil fisicamente, incapaz de realizar trabalhos braçais. Com o tempo, esse tipo de visão aumentou. A mulher agora é incapaz de dirigir, a mulher loira é chamada de burra, uma mulher em um ambiente de trabalho dominado pelo gênero masculino é sempre diminuída, nunca é ouvida, e leva muito mais tempo que um homem para conseguir melhores oportunidades, sem mencionar o assédio sexual sempre presente. O machismo é estrutural, reproduzido diariamente, mesmo por algumas mulheres, sem perceber como aquilo a prejudica.
Existe anos de luta das mulheres contra o machismo, contra o assédio, contra a objetificação do seu corpo, mas ainda assim, parece que vivemos em um eterno retrocesso. Todo dia, um caso de mulher estuprada, agredida ou assassinada tanto por um desconhecido ou por um conhecido, seja namorado ou parente. É necessário que muito mais pessoas se juntem na luta, que ela não pare, e que nenhuma mulher seja esquecida no caminho, seja ela branca ou negra, rica ou pobre. É triste pensar que uma coisa tão simples como respeito ao próximo precise ser ensinada em pleno século XXI. É triste pensar que ainda existe muita luta e desconstrução pela frente, que acontecerá muito mais casos de assédio, que muitas mulheres irão morrer nas mãos do patriarcado. Mas é necessário que o discurso machista e abusivo pare imediatamente, é necessário que parem de estuprar e matar mulheres, é necessário que a luta pelo respeito e igualdade continue.
É preciso que o Estado dê mais atenção na punição dos assediadores, é preciso que os pais ensinem aos seus filhos que é errado tocar no corpo de uma mulher sem sua permissão, que é errado dizer a uma mulher o que ela deve ou não fazer, que se deve respeitar toda e qualquer mulher, independente do lugar que ela está, com quem ela está, ou com que roupa ela está vestida.