Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 08/03/2019

Em 1932, fruto de uma longa — e exaustiva — luta, o voto feminino foi assegurado no Brasil. Conquanto, no campo hodierno, a mulher permanece em batalha frente à visão ancestral inferiorizadora, proposta por ideários patriarcais, que, por sua vez, objetificam sexualmente e geram sequelas potencialmente permanentes. Nesse sentido, é necessário que subterfúgios sejam encontrados a fim de resolver essa inercial problemática.

Convém pontuar, de início, que delimitar espaços para restrição do público masculino, em transportes públicos, acelera a esteira do agravamento. Ressalta-se que, a campanha “Chega de Fiu Fiu” apurou a ocorrência de abuso sexual com toques em 85% do contingente feminino. Para tanto, medidas paliativas são estabelecidas, como a criação de um único vagão feminino no Metro, que é acometido por superlotação e garante seguridade apenas naquele espaço.

Outro aspecto relevante, é a omissão de boa parcela das vítimas. Em seu magistral livro sobre o julgamento do nazista Adolf Eichmann, a filósofa Hannah Arendt cunhou a expressão “banalidade do mal”. Ela apresenta que o mal é ainda mais perigoso do que supomos porque pode apresentar-se sob a aparência de algo corriqueiro, comum. Tendo em vista que inúmeros casos de abuso ocorrem no próprio meio de convívio, a denúncia se torna constrangedora, na qual a complacência se torna uma alternativa.

Torna-se evidente, portanto, a resiliência da importunação sexual vetustamente presente. Nesse sentido, urge que o Governo Federal capacite profissionais para segurança à paisana, por meio de treinamentos com peritos em linguagem corporal para identificar sinais de desconforto do vitimado. Ademais, é imperioso que veículos midiáticos vetem o marketing de empresas, em que mulheres são estereotipadas e hipersexualizadas. Pois, somente assim, em conjunto e com funções bem delegadas, que essa guerra pode começar a ser vencida.