Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 09/03/2019

A sociedade grega antiga foi marcada por um patriarcalismo exacerbado, no qual era visível a intensa supremacia do homem nas relações sociais. Hodiernamente, tal definição ideológica, responsável pelo angustioso sentimento de desvalorização da mulher, ainda faz-se presente na forma de assédio sexual, fomentado pela impunidade de praticantes desse delito, bem como a deficiência na educação familiar de base, o que gera adultos, muitas vezes, despreparados para uma vida igualitária entre os distintos gêneros.

Consequentemente, o número de vítimas de violência sexual aumenta no decorrer dos anos. De acordo com pesquisa realizada pela Ong Action Aid, 86% das mulheres entrevistadas já sofreram abuso em público, principalmente em meios de transporte. Tal número pode ser esclarecido pelo temor da vítima em realizar denúncias, pois se sente desamparada legal e judicialmente, tendo em vista a impunidade marcante pelo qual o agressor é submetido. Dessa forma, o cenário torna-se um ciclo, onde o agressor nunca sente-se intimidado e forçado a estagnar sua conduta.

Ademais, a falha no desdobramento educacional familiar gera consequências nítidas para o fortalecimento do crime abusivo, assim como o enfraquecimento das relações sociais saudáveis. A educação de base é responsável, em grande maioria, pela sociabilidade, harmoniosa ou não, do indivíduo a longo prazo. A deficiência nessa, gera cidadãos marcados pela falta de empatia e respeito alheios, o que pode vir acarretar atitudes ofensivas e abusivas. Segundo o filósofo e sociólogo do século XX, Gilles Lypovetsky, esta é “A Era do Vazio”, marcada pelo individualismo extremo, onde a vida em coletividade perde o valor, dando espaço a uma sociedade egoísta, na qual o respeito com os outros indivíduos torna-se raridade.

Portanto, é imprescindível uma análise plausível em relação à sociedade e à violência sexual vigente nesta. Visando atenuar tal problemática, o poder judiciário deve encarregar-se de uma maior punição aos praticantes de assédio sexual, por meio da aplicação de leis de forma mais severa, bastando apenas o depoimento da vítima para uma prisão e indenização, a fim de que as vítimas sintam-se mais seguras em denunciar, quebrando o tabu de impunidade presente no Brasil. Além disso, a esfera familiar deve se responsabilizar por uma educação mais abrangente em relação à sociedade atual, alterando a visão enraizada nesta de que “a culpa é sempre da vítima”.