Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 08/03/2019
O século XIX assiste não só a majoração da violência, como também a ascensão de suas modalidades, entre as quais, o assédio sexual. Tal cenário revela o descompasso existente entre sociedade democrática e respeito á dignidade humana, pois as mulheres ainda são vítimas de inúmeros abusos sexuais diariamente. Nesse âmbito, fundamental é analisar as circunstâncias históricas e ideológicas, afim de reverter esse fenômeno social.
Em primeiro plano, cumpre salientar que a mulher sempre fora vista por ideologias autoritárias. Cabe enfatizar, de início, a concepção autoritária forjada, sobretudo na Grécia, pois a mulher era impedida de participar de debates públicos, na pólis. Ademais, na Idade Média, institucionalizou o pensamento, segundo o qual a mulher era sinônimo de perversão, pecado. Como se não bastasse, a nossa era passou a ser conhecida pela internacionalização de uma visão perversa, a qual vincula o gênero feminino à coisificação, cuja consequência não é outra senão o estímulo ao assédio sexual. Posto isso, percebeu o percurso histórico a perseguir as mulheres.
Conquanto esse passado doloroso submetido às mulheres, nota-se ainda desafios para diminuir os casos de assédio sexual, por várias razões. Primeiro, porque em meio a esse contexto de desrespeito à dignidade humana, principalmente ao sexo feminino, observa-se a solidificação do patriarcalismo e machismo. Segundo, pois essa violência sexual é compreendida, por muitos, como uma naturalidade humana. A consequência disso é não apenas do constrangimento da vítima, mas também a falta de liberdade social das mulheres brasileiras, das quais 85% já sofreram algum tipo de violência sexual; em meio a esse contexto fica válida a questão de Albert Einstein: “Não se pode resolver problemas do presente com a mentalidade do passado”.Diante disso,percebe-se que a sociedade brasileira ainda não foi capaz de extipar essa problemática, dado que se encontra presente tanto em locais públicos como baladas e supermercados, como também em locais mais reservados, já que nosso corpo social define um “corpo público” pelo modo como a pessoa se veste. Portanto não há outro caminho senão à reverter esse cenário.
A análise permite confirmar o pressuposto inicial, segundo o qual, há desafios para diminuir os casos de assédio sexual. Logo, torna-se necessário que instituições formadoras de opinião- como escolas, universidades e famílias socialmente engajadas- promovam debates constantes sobre a importância de garantir respeito às mulheres, a partir de diálogos nos lares, feiras culturais e escolas. Assim formar-se-ão cidadãos mais aptos a compreender o assédio sexual como uma problemática social e assim, reduzir-se-ão os números de violência sexual enfrentada constantemente por mulheres.