Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 08/03/2019

Na rua, no trabalho, no transporte público, ou até mesmo dentro da própria casa. Mulheres são vítimas de assédio sexual todos os dias. Diz-se mulheres porque, embora os homens também sejam vítimas desse tipo de crime, mulheres e meninas são mais frequentemente assediadas: segundo o Datafolha, 4 a cada 10 mulheres afirmam ter sido vítimas de assédio, embora esse número tenda a ser muito maior, considerando-se que muitas pessoas sentem medo ou vergonha de falar sobre isso.

Uma das possíveis causas para os números alarmantes, é justamente a banalização desse tipo de crime. Muitos homens (que são a maioria dos agressores) não consideram abordar na rua para fazer comentários de teor sexual, tocar na vítima sem consentimento ou até mesmo beijar a força, como assédio. Esse tipo de comportamento é tolerado e considerado aceitável até mesmo por muitas mulheres, que já crescem em uma cultura patriarcal e que sempre criminaliza a vítima em lugar do agressor.

É impossível solucionar o problema apenas legislando. As pessoas podem até mesmo obedecer às leis (o que seria raro, no caso do nosso país), mas a cultura do estupro e do assédio continuaria fazendo parte do cotidiano das mulheres. Devem sim, serem feitas leis de proteção à vítima de assédio sexual, aumento de punições para os agressores e campanhas de prevenção. Mas, principalmente, deve-se focar na educação. É muito difícil combater um problema que as pessoas nem veem como um problema. O governo deve agir no sentido de proibir propagandas de teor sexista, que romantizam a violência, além de serem organizadas palestras e espaços de formação, tanto no ensino básico como nas universidades, de maneira a coibir comportamentos abusivos, tanto de homens como de mulheres.