Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 08/03/2019

Em princípio é importante estabelecer uma relação entre Brasil e Afeganistão para a análise de alguns fatos. Talvez, essa seja considerada uma comparação absurda julgando pela discrepância de culturas. Todavia, a mulher nos dois países, por mais que o uso da burca as distancie, a objetificação que elas sofrem as aproxima. Rebaixadas a ponto de vítimas se tornarem culpadas, essa analogia entre cidadãs de países diferentes e lutas diárias semelhantes, expressa as problemáticas sobre o assédio sexual enfrentado pela mulher.

A violência sexual, caracteriza-se pela relação de poder entre quem pratica o ato e a vítima. Homens escorados nos seus cargos de destaque no trabalho, sua influência e até pela ética machista que prega a superioridade do sexo masculino, sentem-se em posição favorável para a execução da violência. Segundo o Datafolha,42% das mulheres já sofreram assédio sexual, o que reforça o sexo feminino como o mais prejudicado.

Destarte, a dificuldade em erradicar o assédio não está somente na quantidade de homens amparados pelas “posições favoráveis” para a prática do ato, mas também na marginalização das vítimas. De acordo com o jornal BBC News Brasil, um dos motivos para a omissão da mulher que sofre o assédio sexual é o sentimento de culpa. Portanto, é notório que o silêncio dessas mulheres provêm da construção de uma sociedade machista que aprova a absolvição do verdadeiro culpado.

Infere-se que a mulher brasileira enfrenta dificuldades para deixar de ser objetificada pela ética machista. Sendo assim, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH) juntamente com o da Justiça e Segurança Pública (MJSP), deveriam investir em mais delegacias da mulher com infraestrutura para as atender com conforto, também em palestras e campanhas publicitárias em escolas e universidades que falassem sobre os direitos da mulher em situação de assédio sexual, além de promover entre os meninos e homens a reflexão sobre o assunto e a atitude de se posicionar com empatia mediante as causas das mulheres.