Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/03/2019
“… E quando eles voltam sedentos. Querem arrancar violentos. Carícias plenas. Obscenas. Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas…”. A música “Mulheres de Atenas”, de Chico Buarque, exemplifica uma cultura patriarcal que se encontra enraizada nas sociedades desde a formação dessas, sendo projetada sobre as mulheres como forma de submissão, naturalizando atitudes violentas e machistas empregadas pelos homens. Dessa forma, na busca por uma democracia ideal e igualdade de direitos, é imprescindível o rompimento dessa corrente que objetifica suas vítimas e às vulnerabiliza diante do receio de serem julgadas socialmente.
Primeiramente, pode-se dizer que o patriarcalismo, sendo um sistema social em que os homens mantêm o poder primário e predominam como autoridade moral, contribui para a cultura do estupro, na medida que incentiva os meninos, desde a infância, a visualizarem pornografias e a mexerem com o maior número de meninas, enquanto essas devem aceitar a submissão e serem recatadas. Sendo assim, ocorre a disseminação da ideia de que o valor da mulher está ligado às suas condutas morais e sexuais, e o desvio dessa justifica e legítima a violência e o assédio cometido pelos homens tornando a mulher objeto de seus prazeres.
Outrossim, conforme crítica da juíza federal Roberta Araújo em seu perfil no Facebook: " A verdade é que a Rede Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade", coloca em evidência o papel da mídia na influência das atitudes sociais. Diante disso, as mulheres vítimas da violência sexual acabam não denunciando as agressões, já que muitas vezes se sentem culpadas por tais atos, além de constrangidas e sentindo-se limitadas pelo medo do que poderia acontecer se buscassem seus direitos.
Portanto, a fim de mudar esse quadro social de violências e assédios de uma cultura machista e, com isso, empoderar o direito feminino, a Secretaria de Políticas para as mulheres, juntamente, com a mídia, deve implementar campanhas publicitárias em redes sociais, propagandas televisivas e aulões em escolas para conscientizar crianças, jovens e adultos da igualdade de direitos na sociedade. Além disso, movimentos feministas devem ser criados a fim de ajudar diversas mulheres a não se calarem diante de uma agressão física ou verbal e a não se reprimirem no meio social com medo e imponência, porque também são cidadãs e merecem respeito.