Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 08/03/2019

Os famosos olhos que sempre foram para o escritor Machado de Assis o espelho da alma, eram também o espelho do corpo e do comportamento feminino. As mulheres machadianas não são vistas como frágeis ou passíveis do domínio machista, conduzem suas aspirações e esperam do destino muito mais que um comportamento ideal, restrito e coagido pela sociedade patriarcal. Fora da literatura, é fato que a realidade apresentada por Machado é um símbolo de resistência fomentado, principalmente, no mundo contemporâneo em que as mulheres aspiram pela liberdade.

Precipuamente, é vital debater acerca da figura feminina edificada quanto a um instrumento de sedução. Simone de Beauvoir, uma ativista política e filósofa existencialista, cita o homem sendo definido ao longo da história como ser humano e a mulher, como fêmea. Analogamente, extraímos deste pensamento a predominância de uma sociedade patriarcal que sempre subestimou e subjugou as mulheres: um recorte, seja diacrônico ou sincrônico que leva-nos a conclusão de um esforço feito para a construção da dicotomia homem versus mulher e utiliza-se de nítidas ferramentas responsáveis pela estruturação de poder. Sob o mesmo ponto de vista, a cultura do machismo sustenta-se na tentativa de silenciar os efeitos que os seus abusos acarretam e fomenta o assédio sexual quando a sua manifestação, alheia à vontade da vítima, ultrapassa o caminho, mesmo sem o seu consentimento.

Entretanto, engana-se quem pensa que não há resistência contra esse sistema. O movimento feminista desenvolve cenário para as lutas que facilitam a emancipação feminina e o empoderamento com o próprio corpo, ocasionalmente vivenciada com a elaboração da pílula anticoncepcional em 1956 e a conquista do seu espaço no trabalho com a revolução industrial. Semelhantemente, Christina Dalcher, em seu livro ‘‘Vox’’, retrata, através de metáforas, um futuro em que os direitos das mulheres são retirados. Entretanto, há manifestações de oposição que reúnem as mulheres e as suas respectivas bagagens neste processo árduo e longo que é tornar-se mulher, somando forças e vozes que são ecoadas e nunca silenciadas.

Portanto, se pensarmos como Simone de Beauvoir, os padrões de gênero não são biológicos, mas sociais. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que conscientizem contra o sexismo. Os educadores e a família devem se informar para que possam ensinar as crianças os valores da igualdade e respeito, promovendo estes conceitos para a criação de um futuro que não fique preso apenas em uma obra literária e, assim, se faça valer o artigo 5º da Constituição Federal Brasileira.