Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/03/2019
O assédio sexual pode ser definido como todo comportamento indesejado de caráter sexual, sob forma verbal ou física, que gera perturbação e constrangimento ao receptor, além de afetar a sua dignidade e criar um ambiente intimidativo, degradante e desestabilizador. Nesse contexto, por ser uma violência muito problemática e comum no Brasil tanto em ambientes públicos, quanto no trabalho, faz-se necessário não só analisar quais são os desafios existente para reduzir os casos de assédio sexual no país, mas também destacar quais as medidas para mitigar essa situação.
A princípio, cabe considerar que, em virtude de a violência sexual, principalmente contra mulher, ser um problema histórico do país sua resolução se torna difícil. Nesse sentido, é perceptível que o problema está arraigado na sociedade, pois, culturalmente, o sexo feminino foi sempre subjugado, o que pode ser visto até recentemente, já que até 2002 o Código Civil considerava as mulheres ‘incapazes’. Destarte, ainda hoje é possível encontrar pessoas que acreditam que as mulheres são inferiores, e as veem unicamente como objeto sexual. Isso é maximizado pela própria mídia, que, por meio de propagandas, erotiza e objetifica continuamente o corpo feminino. Logo, fica evidente que para diminuir o assédio sexual é imprescindível fazer a desconstrução do pensamento existente.
Nesse cenário, vê-se hoje um movimento que tem importante papel na luta para romper com a concepção patriarcal e, portanto, ajudar a reduzir o número de assédios no país. Isso porque, ao fazer uma busca pela valorização da mulher na sociedade, o feminismo tem sido grande disseminador de ideias que visam a igualdade de gêneros e o fim da sexualização do corpo feminino. Nessa lógica, o movimento social também encoraja vítimas de assédio a denunciar seus agressores, no intuito de instruí-las a brigar por seus direitos e não ficar mais caladas diante das opressões. O fato de as denúncias de assédio no carnaval terem subido cerca de 90% em 2018 prova que o feminismo ganhou força e as mulheres não pretendem mais ficar omissas diante de desrespeito e injustiça.
Torna-se evidente, portanto, que existem impasses para a redução dos casos de assédio sexual no Brasil e é preciso não apenas buscar meios para resolver o problema, como também estimular os já existentes. A priori, é dever da mídia, como formadora de opinião, proibir a exibição de propagandas que sexualizam mulheres, além de promover programas que exibam discussões sobre a temática feminista e sobre a importância de desnaturalizar o assédio sexual no país. Ademais, o governo deve, por meio de MEC, nas escolas, tanto distribuir cartilhas educativas que informem sobre o tema quanto desenvolver palestras com pedagogos e sociólogos que visem a desconstrução das ideias machistas desde a infância, isso com o fito de formar adultos mais conscientes e de abolir o assédio do Brasil.