Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/03/2019
‘‘Água mole em pedra dura tanto bate até que fura’’. De acordo com esse ditado popular, uma determinada ação repetitiva, no caso a água batendo na pedra, causa uma reação desencadeada pela insistência do comportamento, no caso o furo na pedra. Sob esta ótica, pode-se fazer uma analogia entre a ação repetitiva da água na pedra com o comportamento insistente machista, pois da mesma forma que a água atinge a pedra causando furos, a insistência machista atinge as mulheres causando feridas no corpo e na alma. Nesse viés, essa persistência está relacionada ao assédio sexual sofrido pelas mulheres, visto que esse tipo de violência é um desafio no âmbito da sociedade, o qual ocorre devido a herança patriarcal e histórica da humanidade, além de estar relacionada ao machismo.
De fato, a herança patriarcal da humanidade contribui para que a violência sexual esteja presenta nos dias atuais, pois nas sociedades patriarcais as mulheres eram vistas apenas como donas de casa sendo usadas como objetos para a procriação e para a satisfação dos desejos sexuais de seus companheiros. Assim, a figura feminina era limitada à ações básicas não podendo participar liberalmente do corpo social, tornando-se excluída e sendo considerada frágil em muitos aspectos. Sob tal ponto de vista, a herança histórica brasileira também contribui para o ideal frágil e sexual feminino, tendo em vista que durante a economia açucareira, os senhores de engenho assediava sexualmente as escravas africanas, tratando-as como míseros objetos sexuais frágeis.
Além disso, cabe ainda citar que o machismo é o principal fator relacionado ao assédio sexual. Nesse contexto, é inegável que as atitudes dos homens frente as mulheres causam um ideal ilusório de liberdade feminina , visto que os preconceitos relativos às vestimentas e uso de maquiagem causam incontáveis comentários machistas fortalecendo a cultura do estupro. Dessa maneira, o número de casos de assédio sexual só aumentam, principalmente em transportes coletivos, como afirma a pesquisa realizada pelo G1 onde cerca de 85% das mulheres já sofreram assédio em ambientes públicos.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Governo fazer valer a lei que protege as mulheres do assédio sexual, aplicando punições prisionais mais severas para os praticantes de ações machistas.Outrossim, o Governo deve também em parceria com o Ministério do Transporte aumentar o número de transportes públicos femininos objetivando criar um ambiente que promova paz e segurança para as mulheres. Ademais, as instituições midiáticas devem realizar campanhas nas mais diversas redes de compartilhamento, contra o assédio sexual mostrando compadecimento às vítimas induzindo-as à denunciarem os abusos sofridos.