Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 09/03/2019
Desde a Antiguidade, a mulher é retratada como um objeto submisso ao patriarca e com uma vida dedicada ao lar. Desse modo, essa herança patriarcal, de desvalorização da mulher, permanece na geração hodierna, a qual mesmo com alguns direitos conquistados pelo sexo feminino, elas continuam a sofrer constantes agressões físicas e verbais, as quais geram medo e, diversas vezes, consequências irreversíveis a vida delas. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à ineficiência do Estado e à falta de reeducação social.
A priori, consoante o filósofo Aristóteles, a finalidade da função estatal deve ser o bem comum e não os interesses individuais de quem governa. Assim, a crescente corrupção do Estado, ocasiona uma falta de investimentos nas políticas públicas, como campanhas e o avanço dos trâmites jurídicos, as quais possibilitam a impunidade do assediador. Destarte, esses fatores são agravantes, pois as mulheres não possuem informações sobre os seus direitos e, muitas vezes, optam por não denunciarem e são forçadas a conviverem com esses abusos, por medo de perderem seu emprego ou serem prejudicadas no âmbito pessoal. Por consequência, a ineficácia dessas ações inviabilizam a proteção e a informação da mulher e propagam essa cultura de impunidade.
Outrossim, conforme a antropóloga Ruth Benedict, “A cultura é a janela pela qual o homem enxerga o mundo”. Dessa maneira, é a cultura a responsável pela transmissão de valores entre as gerações de uma sociedade, as quais herdam esses costumes e os assimilam no seu modo de viver e se relacionarem com as pessoas. Isto posto, o hábito patriarcal perdurado até os tempos hodiernos, faz-se presente com veemência na relação entre homens e mulheres, o qual impõe preceitos de que o homem deve se impor perante a sua cônjuge. Isso é ponderado em circunstâncias, desde a infância, as quais cria-se uma divisão nas relações entre os jovens e estabelecem regras, como as de que garotos não podem brincar com meninas.
Por conseguinte, para que as práticas da Grécia Antiga não mais perdurem no mundo hodierno são necessárias mudanças na base cultural. Com isso, cabe à Câmara de Deputados em conjunto com o Ministério da Justiça, através de diretrizes, a implementação de investimentos em campanhas públicas, as quais busquem informar e esclarecer as mulheres sobre os seus direitos e o aprimoramento da burocracia jurídica, o qual objetive a facilitação de casos de assédio, a fim de que haja condições e meios de proteção para a sociedade feminina. Assim também, assiste ao Ministério da Educação, por meio de projetos educacionais, a criação de palestras, as quais direcionem os jovens a uma cultura de igualdade e respeito entre os indivíduos, para que haja uma geração futura cônscia.