Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 09/03/2019

As mulheres, ao longo da história, sempre buscaram a conquista de seus direitos seja com a possibilidade de votar, de participar do mercado de trabalho ou, até mesmo, de ter o assédio sexual tipificado como crime. Contudo, por mais que seja coibido pela lei, práticas como essa continuam recorrentes nos dias atuais, afinal, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada(IPEA), 78% das entrevistadas já passaram por uma situação de abuso, verbal ou físico. Diante disso, é imprescindível discutir os motivos que corroboram para a continuidade desse delito.

Em primeiro plano, é preciso refletir sobre a escassa quantidade de delegacias especializadas no atendimento da mulher. Ao analisar a premissa de que o Estado é constituído como garantidor dos direitos de cada indivíduo do filósofo John Locke, constata-se a responsabilidade do Governo em assegurar uma assistência especializada para as vítimas de assédio sexual, de maneira a oferecer suporte e apoio a elas, porém é notório o não cumprimento dessa proposição. Por conseguinte, muitas denúncias não ocorrem, logo, isso contribui para que os homens não tenham receio da punição e continuem a praticar esses delitos.

Outra causa que corrobora para a ocorrência do assédio sexual é o patriarcalismo ainda estar arraigado na sociedade. Isso ocorre em virtude da visão conversadora dos indivíduos em relação a esses crimes, isto é, muitas vezes as atitudes da mulher são estabelecidas como culpadas por esse ato, como a vestimenta no momento do crime e o local que a pessoa estava. Em consequência disso, há uma falta de incentivo e constrangimento, por parte das vítimas, de relatar o ocorrido.

O assédio sexual é muito prejudicial à mulher, portanto, medidas são necessárias para coibir esse ato. Para isso, a mídia poderia mostrar a importância de realizar denúncias. Isso seria feito por meio de comerciais ou personagens de novelas, os quais apresentassem que a queixa ajudaria a impedir a ocorrência de mais delitos como esse. Desse modo, as pessoas relatariam mais o crime e haveria mais punição. Aliado a isso, os Governadores poderiam aumentar o número de delegacias especializadas no atendimento do sexo feminino. Isso ocorreria mediante projetos que, além de mais unidades, contratassem profissionais capacitados para auxiliar e direcionar essas mulheres. Dessa forma, haveria mais apoio do Governo as vítimas e, assim, a premissa de John Locke seria cumprida.