Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/03/2019
A obra literária “O Cortiço”, de Aluísio de azevedo, mostra a realidade da mulher durante o século XIX, e apresenta, por meio de uma das personagens, a figura feminina como um objeto sexual, pronta para satisfazer as necessidades dos homens a qualquer momento. Apesar do lapso temporal, é notório que esse pensamento arcaico ainda está enraizado na sociedade contemporânea, e que, de fato contribui para o aumento de casos de abusos sexuais nas mulheres. Dessa forma, ir a origem do problema é fundamental para entender a verdadeira forma de combate a esse mal sério social.
Em uma primeira análise, é importante ressaltar que os ideais conservadores e a visão machista sobre a conduta feminina são umas das causas dos assédios. Isso acontece porque, devido a esses fatores, as mulheres são subjugadas pelas suas vestimentas e seu empoderamento, o que fere seu direito de ir e vir, pois o machismo justifica que aquelas que fogem do padrão estabelecido estão mais sujeitas ao assédio. Dessa maneira, as mulheres não se tornam e nem são vistas como ser humanos em sua integridade, e assim, não saem da condição de oprimidas, idealizadas pelos homens, de acordo com o pensamento de Simone de Beauvoir, socióloga do século XX.
É válido compreender, ainda, que no campo profissional, o assédio dificulta a ascensão das mulheres nas corporações, podendo resultar no fim ou na mudança de suas carreiras. Tal questão ocorre, devido ao fato de que, como em grande parte das empresas os cargos de chefias são ocupados por homens, a mulher está sujeita a abusos e situações que a impedem de denunciar por medo de perder o emprego, assim, sua produtividade é afetada e funções vão se desvalorizando. Prova disso, é que, segundo o Ministério Público do Trabalho, dentre as denuncias que ocorreram entre os anos de 2007 e 2017, 25% foram relativas a práticas abusivas no ambiente se trabalho, como assédio e agressões.
Portanto, é perceptível que para atenuar a quantidade de casos de assédio, medidas sejam tomadas. Desse modo, cabe ao Poder Legislativo revisar e aumentar o rigor de legislações específicas que punam, sem possibilidade de diminuição de pena dos agressores, a fim de garantir a segurança da vítima e sua liberdade. Afinal, os direitos das mulheres precisam ser respeitados e a igualdade de gênero precisa ser alcançada.