Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 11/03/2019

Desde o final do século XIX, as mulheres se mobilizaram na luta pelos direitos civis, políticos e sociais, de tal forma que, na Constituição de 1932 conquistaram o direito ao voto. No entanto, apesar de muitos avanços, a luta por igualdade de gênero, melhores condições e respeito ainda é longa. Nesse sentido, é necessário avaliar as principais causas da propagação dos casos de assédio sexual no país.

Em princípio, na sociedade contemporânea manifesta-se a cultura do estupro que banaliza, legitima e justifica a violência contra a mulher. De acordo com o G1, 86% das mulheres já foram assediadas e 44% tocadas sem consentimento. Nesse contexto, a culpa que recai sobre a vítima e a falta de apoio da família e de autoridades que minimizam a violência sofrida, faz com que, na maioria dos casos, não haja denúncia.

Ademais, o pensamento ignorante de que o valor da mulher está ligado a sua conduta moral e sexual, muitas vezes, neutraliza o assédio. Desse modo, condutas impróprias em locais públicos são consideradas normais, e não há reação por temerem represálias. É inconcebível que, no país no qual ocorre 17 mil feminicídios em 3 anos, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, as mulheres recebam mais julgamentos do que amparo.

Em suma, os casos de assédio sexual são inúmeros, frequentes, omitidos e silenciados. Nesse sentido, é necessário que as escolas implementem palestras e debates sobre educação sexual, no ensino fundamental e médio, por meio de relatos reais com vítimas de abusos. Espera-se, com isso, que os meninos cresçam respeitando o corpo e a vontade das meninas, e essas, cresçam aprendendo sobre o próprio corpo e que suas escolhas cabem somente a si mesmas. A fim de que nasça uma sociedade com uma reflexão mais ampla sobre a sexualidade humana, favorecendo o combate ao preconceito, abuso sexual e violência contra a mulher.