Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/03/2019
A mudança é expressiva. Agora, ao invés de consentir, a mulher luta. Os números ainda são desfavoráveis, contudo, mesmo com muitos obstáculos, a situação está mudando lentamente. Pois, só em termos uma legislação mais rígida para crimes contra a mulher, já é um fato positivo. Porém, de encontro a essa evolução, vão dois principais problemas: a mentalidade de uma cultura machista e a morosidade na mudança estrutural da sociedade.
O primeiro, sendo intelectual, muitas vezes tenta transferir a culpa de um crime para a tradição. Como se a opressão aos marginalizados (como negros, pobres e mulheres) existente anteriormente e justificada, muitas vezes, pela religião tivesse que continuar. Com isso, a cultura possessiva do machismo acaba refletindo numa sensação de superioridade sexual, com assédios frequentes: a chamada cultura do estupro. Todavia, a justiça existe pra equilibrar a favor dos menos favorecidos e deve punir, de forma exemplar, os mal acostumados.
Já com o segundo, a manutenção da hegemonia masculina nos cargos de chefia e na obtenção de melhores salários - vide os ministros atuais, os quais são 20 homens e 2 mulheres - reflete, diretamente, nas relações de poder entre os gêneros. Fato que pode “condicionar” os mais privilegiados a terem “direitos”, inclusive o de assediar, sobre as tidas como menos poderosas.
Assim sendo, com o intuito de vencer os entraves que mantém a frequência dos assédios sexuais no Brasil, seria decisivo, a curto e médio prazos, o papel do Ministério Público na punição dos assediadores, pois tais sanções servirão de exemplo, inibindo novos casos. Ainda, a longo prazo, o investimento, pelo Ministério da Educação, em campanhas que transformem nossas crianças em cidadãos capazes de diferenciar um crime de um mal entendido.