Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/03/2019
Segundo o Datafolha, 42% das mulheres brasileiras já sofreram alguma forma de assédio. De maneira analóga, é pertinente avaliar as causas que corroboram para o aumento desses casos no país, sobretudo o machismo histórico-cultural e a culpabilização das vítimas, que desistem de denunciar. Torna-se paradoxal, portanto, uma postura indiferente do Governo e da mídia diante dessa problemática.
Em princípio, é fundamental compreender como raízes ideológicas patriarcais atuam negativamente nesse problema. No livro “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães, a protagonista Isaura é perseguida e assediada por seu proprietário, Leôncio, que deseja seduzi-la. Ainda que ficcional, tal cena serve para ilustrar como a figura feminina fora e ainda é subjulgada como objeto sexual durante séculos. Dentro desse raciocínio, o sociólogo Pierre Bordieu afirma que a sociedade participa de um ciclo vicioso de superioridade, incorporação e naturalização de estruturas padronizantes. Hodiernamente, esta interpretação obsoleta de que a figura da mulher serve apenas para prazer erótico perdura pela nação brasileira, assim como na obra literária.
Outrossim, é perceptível o tratamento banal que parte da sociedade oferece às vítimas. Nesse contexto, ainda segundo o Datafolha, um em cada três brasileiros culpam as vítimas em situações de assédio. Esse fato mostra como, na maioria das vezes, é difícil para as mulheres agredidas terem suas vozes escutadas. Seguindo essa lógica, por pensar que o agressor não será penalizado pois a culpa lhe é exclusiva, muitas das vítimas desistem de denunciar o crime.
Logo, fica claro que a herança patriarcal e a vulnerabilidade das vítimas são fatores que impedem a redução do número de assédios no Brasil. É mister, em primeiro lugar, que o Governo através do Ministério da Educação promova dentro da Base Nacional Comum Curricular um programa que vise contemplar o assédio sexual em sala de aula, para que o mesmo possa ser identificado como crime e denunciado. Paralelamente, em parceria com a mídia, campanhas contrárias a objetificação do corpo feminino devem ser vinculadas nos meios mídiaticos, para que tal visão possa ser extinguida e o respeito entre ambos os gêneros seja efetivo. Assim, os casos de assédio pelo país poderão ser mitigados.