Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

Ciclo de percalços

Na obra canadense “The Hadmainds Tale”, a autora Marget Autwood, retrata uma sociedade distópica composta por indivíduos que reduzem a figura feminina, limitando apenas a procriação. Não dissonante da ficção, a atual conjuntura, paradoxalmente, trás consigo valores retrógrados, fruto de uma cultura machista que objetifica as mulheres, tratando-as como seres cuja finalidade social é atender as necessidades hedônicas.

A sociedade ocidental contemporânea, que teve sua gênese ao longo de uma série de revoluções ocorridas no século XVIII e XIX, é marcada cada vez mais por um espírito individualista, em que não há de modo geral, uma preocupação com o outro nem com o coletivo. Nesse perspectiva, é possível evidenciar o aumento das mazelas sociais, e o descaso dos indivíduos que se tornam alheios as necessidades e cuidados com o próximo, como foi o caso ocorrido em 2017 no Espírito Santo de uma jovem que foi violentada  durante uma festa do colégio,a mesma teve imagens do ocorrido divulgadas e resultou no suicídio da vítima. Ações omissas de pessoas que presenciam esses situações unidos a reclusão da vítimas, contribuem para a a formação de um ciclo de imbróglios.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, garante a todos os indivíduos o direito à segurança e ao bem-estar social. Conquanto, o crescente caso de abusos, assédios e estupros, sendo ele mais corriqueiro em pessoas do gênero feminino, impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. O jornal francês “Le Monde Diplomatique”, em 2016 publicou a relação de países com maiores índices de estupros, cujas as vítimas são mulheres, mostrando diretamente a relação da difusão dos valores culturais misóginos com a aparição de quadros de violência sexual, que agregados a fatores como medo das vítimas e não punição do poder publico, favorecem as ações dos estupradores e lança a sociedade no desamparo e violência sem “quartel”.

Infere-se portanto, que com o fito de interromper a cultura do estupro no Brasil, é fundamental a atuação do Poder Legislativo e Executivo, que legitimem e garantam sanções mais severas aos estupradores. Entretanto, a educação de cunho social e politizador é o ponto nevrálgico para esse processo, sendo ela iniciada pelos genitores e familiares, erradicando essa ideologia na mente dos indivíduos de inferiorização da mulher e validação da masculinidade por meio do sexo. Também é primordial atuação de ONG’s como APAE( Associação de Pais e Amigos Excepcionais) que junto as instituições de ensino possam realizar projetos e campanhas que promovam acessibilidade e estímulos das vítimas a denunciarem, pois uma revolução só ocorre quando alteramos nossos comportamentos.