Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/03/2019

Cenário constante na realidade feminina de todo o mundo, a cultura do estupro tem ceifado a vida social, mental e física de mulheres que, simplesmente, tentam viver e adquirir espaço dentro da sociedade. A interação sexual não consentida atinge cerca de 85% das mulheres em ambientes comuns e cotidianos como em transportes coletivos, trabalhos e lazeres - conforme dados da Campanha chega de Fiu Fiu. Nesse contexto, é necessário promover a discussão sobre os desafios que impedem a redução dos casos de assédio sexual atual tais como: a ampla permissividade no âmbito artístico que permitem o uso da imagem da mulher como objeto em propagandas, músicas e novelas, assim como a deficiência no sistema de denúncias por ambos os sexos que acabam perpetuando, consequentemente, o machismo e o feminicídio.

Primordialmente, um dos fatores que contribuem com a banalização e legitimação da violência contra a mulher por meio do assédio é a alta presença de conteúdos artísticos machistas nos meios de comunicação. Com isso, ainda é comum ver cenas propagandísticas relacionando o corpo feminino a um objeto de consumo e de serviço ao homem junto com o produto ofertado e até mesmo filmes, novelas e músicas que propagam atos machistas e assediadores de maneira romantizada em letras e cenas. No final de 2018, uma nova série da Netflix - chamada “Você” - causou repercussões alarmantes nas redes sociais por ter oportunizado o assédio, a perseguição pela mulher idealizada e o feminicídio de maneira romântica, atraindo - inclusive - muitas concepções “positivas” sobre o comportamento do personagem masculino principal que cometia essas ações.

Outrossim, a falha no sistema de denúncia ao assédio por mulheres e homens atrelada a omissão de mecanismos punitivos que auxiliem a Lei do Assédio Sexual, promulgada desde 2001, também dificulta a eliminação da cultura permissiva do estupro e do assédio. A ausência de denúncia pode ocorrer devido ao abuso de posição de superioridade laboral e, principalmente, por conta do medo acompanhado de coação e ameaças realizada pelo assediador. Segundo o jornal “O Estado de São Paulo” aproximadamente 90% dos casos de abuso moral e sexual não são denunciados pelas vítimas e colegas devido ao receio de ser julgados, hostilizados, de perder o emprego ou a reputação.

Logo, reconhecendo a abrangência da cultura do assédio, medidas devem ser tomadas a fim de amenizar o constrangimento e a submissão feminina, tais como: a criação de cargos empregatícios para agentes de segurança em transportes públicos e em empresas, para haver atendimento à mulher de maneira obrigatória, pelo Ministério do Trabalho em parceria com a Secretaria de Políticas para Mulheres, para que promova a proteção e o suporte necessário a denúncias contra tamanha violência.