Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 10/03/2019
O assédio sexual é um dos tipos de violência sustentados pelo machismo, sendo reflexo da cultura do estupro. A ideia de posse masculina sobre os corpos femininos naturaliza essas práticas, protegendo os agressores. Assim, tragicamente, é comum a culpabilização da vítima e a impunidade. Criar condições para romper o silêncio das mulheres violadas é o caminho para a diminuição desse crime.
Dessa forma, o sexismo segue na sociedade como mazela de difícil remédio, já que é resultado de séculos de opressão e silenciamento. Contudo, a ascensão do feminismo vem objetivando transformar tal realidade. Por exemplo, em 2018, os movimentos “Me Too” e “Time Is Up” tiveram início na internet e culminaram na denúncia de várias agressões sexuais sofridas por diversas atrizes hollywoodianas. O importante encorajamento das vítimas desvelou uma cruel realidade e trouxe em pauta a urgência do combate a esse tipo de conduta.
Com isso, ao reconhecer a onipresença de tais práticas violadoras, será possível vislumbrar uma possibilidade de mudança. A exemplo de conquista no Brasil, tem-se a criminalização da importunação sexual, ferramenta para coibir agressores em transportes públicos, ambientes de trabalho, entre outros locais. Entretanto, a simples aprovação de leis, somente, não causará impacto suficiente. A educação é o caminho, já que, inegavelmente, ainda há naturalização dessas violações, assim, abordar tais temas nas escolas é essencial para a formação de cidadãos conscientes.
Consequentemente, é papel do Ministério da Educação, em associação à ONU Mulheres, abordar a temática do assédio sexual nas instituições de ensino de todo país. Isso se dará por meio da adoção, como leitura obrigatória, de autoras a exemplo da filósofa Djamila Ribeiro, a exibição de vídeos informativos, como as da jornalista Júlia Tolezano, assim como a realização de oficinas e palestras educativas. Dessa forma, será possível educar possíveis agressores e evitar o silenciamento das vítimas.