Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 11/03/2019
A história da civilização humana tem mostrado que a sociedade sempre foi, e ainda é, fortemente patriarcal, organizando-se de forma que o papel da mulher sempre foi secundário ao do homem. Atualmente, essa visão retrógrada em relação a mulher, ainda, é presente na sociedade Brasileira, resultando em importunações nas ruas e abordagens inadequadas de cunho ofensivo à sua integridade, caracterizando o assédio sexual. Dessa forma, necessita-se discutir como que o histórico-social e o baixo percentual de denúncias são entraves para a diminuição do assédio sexual.
Em primeiro lugar, a sociedade Brasileira foi fundamentada em um sistema patriarcal, tendo sua formação e desenvolvimento com base na submissão da mulher em relação ao homem. Tal cenário vai ao encontro da teoria do “fato social,” do sociólogo Durkheim, pela qual as pessoas tendem a adquirir hábitos e costumes já moldados na sociedade. Em decorrência desse contexto, o assédio sexual tornou-se banalizado devido à perpetuação da conduta machista que ainda se reflete nos dias atuais.
Além disso, nota-se que o número de denúncias em relação a casos de assédio sexual ainda é ínfimo. Esse cenário ainda ocorre porque, infelizmente, tem-se uma cultura de culpabilizar as vítimas, utilizando como pretextos as vestimentas e os comportamentos delas. De acordo com um levantamento feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), cerca de 60% dos entrevistados concordaram que aconteceriam menos estupros se as mulheres soubessem como se comportar. Desse modo, as mulheres acabam não denunciando por vários fatores: medo de ser hostilizada, sentimento de vergonha e, até mesmo, de culpa.
É evidente, portanto, que ainda há grandes desafios a serem enfrentados para que haja uma redução dos casos de assédio sexual no Brasil. É importante a atuação do Ministério da Educação, por meio das instituições de ensino Fundamental e Médio, na promoção e ampliação de um ensino que valorize conteúdos mais abrangentes sobre o respeito ao próximo e a igualdade de gênero, com o objetivo de desmitificar a cultura do machismo.
Além do mais, cabe ao Ministério da Justiça, por meio dos meios de comunicação em geral, investir em campanhas que incentivem as vítimas a denunciarem os seu agressores morais, a fim de que se consiga minimizar o problema do assédio sexual no nosso meio.