Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 18/03/2019

Desde a literatura barroca, no século XVII, a figura feminina foi edificada quanto a um instrumento de sedução. Na poesia ‘’À mesma Dona Ângela’’, Gregório de Matos trata a mulher como objeto do pecado. Essa mesma visão de objetificação feminina prepondera mesmo na contemporaneidade, de modo que, grande parte da população masculina se coloca no direito de usar, sem consentimento, dessa parcela social. Assim, por questões histórico-culturais, torna-se sinuoso a erradicação do assédio sexual.

Em primeiro plano, vale salientar que o assédio sexual vivenciado pelas mulheres no Brasil baseia-se no patriarcalismo, o qual, por sua vez, possui raízes históricas. Durante o período da escravidão brasileira, os senhores de engenho, por muitas vezes, abusavam sexualmente das escravas, forçando-as a ter relações sexuais com os mesmos. A partir de então surgiu o mito de que “mulheres negras são mais quentes”, por conta de os senhores de engenho dizerem que suas mulheres deviam ser recatadas e do lar, enquanto, com as escravas, elas realizavam as fantasias sexuais que possuíam.

Em segundo plano, tem-se, consoante ao fato supracitado, que, mesmo na contemporaneidade, a visão vigente ainda é a patriarcalista, de modo que cultura de massa continue a veicular a mulher como mero objeto sexual, o qual todos podem usar. O grande hit da dupla sertaneja Henrique e Juliano, “vai namorar comigo sim”, é um grande exemplo dessa objetificação. Em certo trecho da música é colocado “tô afim de você, e se não tiver, cê vai ter que ficar”, o que demonstra que a mulher não possui direito de escolha, que ela deve servir as vontades masculinas. Fator que justifica, no Brasil, 1 mulher ser estuprada a cada 11 minutos, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Infere-se, portanto, que, a fim de diminuir os casos de violência sexual, faz-se necessário uma desestruturação dos preceitos patriarcais. Desse modo, cabe, primeiramente ao Ministério da Saúde em junção com as escolas, trabalhar através de palestras e pesquisas, com, principalmente, com o público infantil, a questão do assédio, mostrando consequências e meios de combate, a fim de criar uma geração mais consciente. Ademais, é dever da mídia, como formadora de opinião, despertar a inquietude sobre o tema por meio de ficções engajadas. Desse modo, conseguir-se-á, em longo-médio prazo, a diminuição nos casos de assédio e formação de uma sociedade alicerceada no respeito.