Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 12/04/2019
“A humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si mas relativamente a ele, ela não é considerada um ser autônomo”. Essa reflexão, feita pela escritora feminista Simone de Beauvoir, ilustra a realidade da mulher brasileira desde tempos antigos e que está presente até os dias atuais no que se refere à visão preconceituosa e machista de grande parte da sociedade que considera o homem superior em diversas ocasiões, sendo essa uma das diversas explicações para o problema do assédio sexual no Brasil.
Uma das ONG’s de combate à pobreza mais conhecidas do mundo, a ActionAid, realizou uma pesquisa sobre o assédio em lugares públicos em quatro países, entre eles o Brasil, o qual liderou o ranking empatando apenas com a Tailândia. Além disso, as ações na justiça contra esse tipo de ato cresceram 200% em 3 anos, sendo 88% desses na esfera trabalhista, em que mulheres são obrigadas à suportar situações desagradáveis e constrangedoras para permanecerem no emprego.
Além disso, convém lembrar sobre a cultura machista a qual está impregnada no pensamento de um número considerável de pessoas, assim, ações como o abuso sexual, psicológico e assédios são naturalizados e os agressores podem sair impunes. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea) mostrou que 58,5% dos entrevistados concordam com a frase “Se as mulheres soubessem como se comportar haveria menos assédios”, exeplificando o pensamento equivocado de que a culpa é das mulheres e não dos assediadores.
Com base nos fatos supracitados, fica evidente a necessidade de modificar os parâmetros culturais e educacionais, sendo papel da escola incorporar conteúdos voltados ao direito das mulheres e igualdade de gênero, além do Estado promover uma punição mais severa para os abusadores, como uma pena mais longa, e também um maior investimento e atenção às delegacias da mulher, para que todas possam ser ouvidas e que as medidas cabíveis sejam tomadas rapidamente.