Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/03/2019
Indubitavelmente, a cultura machista e patriarcal durante séculos ditava o que era apropriado ou não para o sexo feminino. Nos tempos atuais, a escritora Chimamanda Adichie alega que o problema do gênero consiste em descrever como deve ser, em vez de reconhecer quem somos, comprovando o modelo arcaico enraizado na sociedade. Nesse sentido, a cultura do assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade da mulher, intervenções são necessárias.
Em primeira análise, há uma falta de consciência dentre a sociedade sobre o comportamento constrangedor e persuasivo mascarado como elogio ou cantada. Outrossim, sendo este um dos fatores corroborativo para a persistência do assédio, a falta de percepção do que ele realmente é. Enquanto a cantada remete a certa poética popular, o assédio é definido pela violência e insistência inoportuna.
Em segunda análise, a ineficiência diante as punições, o medo e a vergonha, elucidam o receio em realizar a denúncia. Por conseguinte, uma pesquisa feita pelo site Vagas.com indica que 87% das pessoas que já sofreram assédio moral ou sexual no local de trabalho - onde ocorre majoritariamente os casos - não denunciaram. Faz-se necessário que estes sintam-se seguros tanto no âmbito profissional, quanto no social, para que tais condutas sejam erradicadas da sociedade.
Portanto, a fim de alterar este paradigma, há uma identificação sobre o assédio a ser trabalhada. Nesse ínterim, debates e aulas de conscientização às crianças nas escolas fomentarão o respeito aos direitos da mulher. Ademais, os meios de comunicação, com o impacto apelativo, deve transmitir noticiários e campanhas sobre a equidade de gêneros e problematizar a banalização do abuso, induzindo a reflexão e mudança na conduta dos indivíduos. O governo, ainda, sendo mais punitivo nas leis contra essa situação garantirá o reconhecimento da liberdade feminina, como anseia Chimamanda.