Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 02/05/2019
Os documentos históricos registrados pelos europeus com a chegada destes na América, ou mais especificamente, no Brasil, relatam a então “descoberta” feita. Em 1500 descobriu-se o Brasil, e a partir daí tudo mudou. Inclusive a vida cotidiana das mulheres indígenas, estas deixaram de cuidar de seus filhos e passaram a ser tratadas como seres inferiores, tornando-se vítimas de abusos e assédios sexuais, mostrando assim, a posição hierárquica das mulheres diante aos homens daquela época. Surpreendentemente, apesar de parecer algo antiquado e incoerente, pesquisas apresentam dados que relatam a persistência de tais comportamentos masculinos sobre as mulheres nos dias de hoje. Um estudo feito pela organização ActionAid em 2016, mostrou que 86% das 503 mulheres entrevistadas, já foram assediadas em público. Assim, nota-se a falta de respeito e empatia às mulheres, por parte daqueles homens, que consideram uma cantada na rua como um elogio, ou aqueles que se vêem no direito de tocar em uma mulher desconhecida na rua, apenas parar suprir seus desejos e prazeres, sem o mínimo de consciência de seus atos.
Ademais, o sistema jurídico penal, encoraja a população masculina a manter esses comportamentos, visto que, não possui punições severas àqueles que cometem crimes de assédio sexual, podendo citar assim, o caso ocorrido no dia três de novembro de dois mil e dezoito, o qual trata-se de uma menina de treze anos que foi estuprada pelo pai e o denunciou, porém o ator do crime, ao ser solto, matou a vítima. Ou seja, essas situações causam medo e receio nas vítimas ao denunciar casos de assédio, pois temem a reação dos criminosos. Em contrapartida, uma recente pesquisa do Datafolha revelou que as mulheres que possuem maior índice de denúncias, são aquelas que possuem alta renda familiar e ensino superior, isso porque obtiveram maior acesso à informação.
Dessa forma, é necessário que o Estado promova campanhas e palestras nas escolas e universidades por todo o país e também nas mídias sociais, já que, grande parte da população possui acesso à internet, conscientizando aos jovens e adultos sobre a cultura machista predominante no país, suas consequências, e como isso afeta a vida de milhares de mulheres diariamente. E também, educando a nova geração a ter maior respeito ao próximo, independente do gênero, por meio de debates dentro das salas de aula, iniciando essa trajetória já no ensino fundamental. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça, reformular os códigos penais e suas respectivas sentenças, tornando-as mais rígidas e aumentando a duração da pena contra assédios sexuais, a qual em média é cerca de um a dois anos, passando a ser de dez a quinze anos.