Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 05/05/2019
Ao contrário do que muitos acreditam, o cenário atual da sociedade brasileira, aponta elevados índices de assédio sexual, o qual afeta principalmente o público feminino, devido ao fato de, segundo dados do IBGE, 86% das mulheres no Brasil já terem sofrido assédio em lugares públicos. Dentre os inúmeros motivos que levaram a esse acontecimento, pode-se citar o interesse de se obter vantagem ou favorecimento sexual, em que prevalece uma superioridade do agente em um cargo ou função e a falta de respeito dos homens em relação às mulheres. Portanto, é imprescindível que novas atitudes sejam tomadas pelo Governo Federal, para combater essa prática de violência, que é considerada crime e atinge várias camadas da população brasileira.
Primeiramente, a observação crítica do período da escravidão no Brasil, mostra uma relação de subordinação dos escravos com seus senhores, os quais cultuaram o estupro como método de reprodução e contribuíram para o processo de miscigenação, pois os escravos eram considerados mercadoria e as escravas, inseridas em uma cultura machista, sofriam com a violência sexual. Apesar da escravidão ter sido abolida em 1888, os atos de abuso foram enraizados no país, portanto, a forma como a mulher foi objetivada ao longo de sua história diz muito acerca das práticas atuais: desde cedo, as mulheres são ensinadas a suportar situações desagradáveis, como cantadas e elogios, os quais passam uma falsa premissa de que essas atitudes são legais e que fazem parte da cultura brasileira, assim, são socialmente aceitos. Tais práticas devem ser combatidas pois reforçam a cultura do assédio promovida pelo sistema patriarcal que culpabiliza as vítimas, as quais, ás vezes cedem, sem que tais atos possam ser considerados como livre disposição de vontade.
Além disso, em setores públicos e privados de trabalho, as mulheres não estão em igualdade de condições com os homens na estrutura organizacional, mesmo quando ocupam cargos de mesma hierarquia, porque para os macro e micro sistemas de poder na sociedade, a mulher ocupa um papel inferior, esse pensamento deve ser modificado, para que o público feminino seja respeitado e tenha uma dimensão maior de sua potência e capacidade de lutar para quebrar a cultura enraizada.
Logo, em virtude dos fatos mencionados, é imprescindível que o Ministério dos Direitos Humanos realize um projeto chamado “Respeito pelas Mulheres”, o qual consiste em discutir a igualdade de gênero e propor um pensamento de consideração ao próximo, aos jovens e adolescentes, por meio de aulas sobre essa temática. Além disso, a desconstrução do assédio é uma ação coletiva. A população deve organizar, mobilizar, agir, denunciar e oferecer apoio às vítimas, tanto jurídico quanto psicológico, para transformar não só o ambiente de trabalho como também a sociedade brasileira.