Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/06/2019

Causas ignoradas

“Quem cala consente”. Essa frase é, infelizmente, comumente conhecida na sociedade brasileira, dita para justificar atos de assédio sexual, que acontecem, majoritariamente, com  as mulheres. Tal situação é muitas vezes confundida como elogio por quem o faz, contudo, é evidente a diferença entre os atos, na medida em que o assédio acarreta problemas como o estupro e, além disso, limita a liberdade da vítima por atribuir-lhe a culpa. Diante disso, torna-se difícil a redução dessas ações nocivas, visto que estão enraizadas na cultura vigente, que banaliza esse tipo de ação. Assim, é necessária a implementação de medidas voltadas à resolução desses impasses.

Em face disso, a cultura patriarcal instaurada ao longo do tempo contribuiu significativamente para a normalização do assédio sexual. Nesse contexto, em que a mulher é objetificada, é comum esse tipo de prática, fato comprovado pelo instituto de pesquisas Datafolha, por meio de uma pesquisa que revelou que 42% das mulheres já sofreram assédio sexual no Brasil. A situação, além de causar constrangimento à vítima,  promove casos de estupro, pois parte do princípio de que os seres do sexo feminino são, de alguma forma, inferiores aos homens. Frente a essa cultura estagnada, reduzir o assédio torna-se complicado, pois a culpa, ainda, é atribuída  a quem sofre com ele.

De fato, há um padrão comportamental sugerido às mulheres que pode, aparentemente, acabar com as injúrias. “Dar-se o respeito” é uma ideia sustentada por ele, que dita o que se deve ou não fazer , e mesmo o que vestir. Nesse contexto, há uma série de comportamentos considerados “provocativos” a quem comete esse tipo de ação, que acabam por inocentar o agente da ação. A cultura patriarcal está tão fixada que qualquer movimento de luta contra o assédio sexual é considerado “mimimi”- reclamação sem importância-, e esse tipo de argumento é usado na defesa dos costumes instaurados.

É importante, portanto, que o problema seja colocado em evidência, para que haja a problematização do comportamento que, ainda , é visto como algo normal pela sociedade. Iniciativas como a “Chega de fiu fiu” são importantes para a contribuição com isso, pois revelam a grandiosidade desse transtorno com o qual as mulheres sofrem. Cabe às empresas de publicidade o trabalho para isso, com a criação de propaganda que não mais objetifique a mulher,  o que ocorre hodiernamente. Ademais, cabe ao governo a implementação de matérias voltadas a esse setor da sociedade, de forma a educar as população com equidade, para que a cultura do problema seja interrompida. Assim, o assédio sexual ganhará relevância com sua visibilidade como problema.