Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 15/05/2019

“A humanidade é masculina e o homem define a mulher não em si mas relativamente a ele,ela não é considerada um ser autônomo”,a frase da pensadora Simone de Beauvoir ilustra a concepção de que a mulher está constantemente submetida ao homem e a seus ideais.Essa concepção insiste em ser perpetuada sob a égide do machismo e tem contribuído para que inúmeros casos de violação da mulher,sobretudo casos de assédio sexual,continuem sendo comuns.

Em primeiro lugar,a Lei 10.224/01 configura assédio sexual como crime e pode resultar em até 2 anos de prisão para o agressor.No entanto,essa prática está longe de ser extinguida,segundo dados do Instituto Maria da Penha a cada 1 segundo uma mulher é assediada no Brasil.De forma que, esses abusos se tornaram parte do cotidiano e são frequentemente tangenciados,já que poucas vezes o agressor é punido ou a vítima se vê em posição de denunciar.

Nesse contexto,a maior problemática reside na forma como o assédio sexual é tratado e na inexistência de suporte e amparo às vítimas em grande parte dos casos.Uma vez que,os ideais machistas enraizados na sociedade diminuem a voz da vítima e potencializam a do agressor e terminam por colocar a mulher em uma posição de culpa,responsabilizando-a pelo abuso sofrido.De maneira que,usa-se as roupas,o local,o comportamento e as ações da vítima,como forma de justificar o assédio,em uma situação na qual apenas o agressor deveria ser julgado.

Portanto,torna-se extremamente urgente impor medidas para reduzir as ocorrências de assédio sexual.Cabe ao Governo,em parceria com os veículos de mídia,criar projetos e campanhas de atendimento às vítimas de assédio,a fim de encorajar a realização da denúncia e fazer com que o agressor não permaneça impune.Pois,a autonomia feminina só será conquistada de fato quando a mulher sentir que sua voz é ouvida e que suas escolhas são respeitadas.