Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 16/05/2019
Com a ajuda do trabalho de grupos de apoio às mulheres e o próprio discurso destas em sua defesa, os atos determinantes do assédio sexual puderam ficar esclarecidos e passaram a incluir, não só o físico, mas os ataques moral e psicológico como partes desse crime. No entanto, apesar dos avanços da luta do “sexo frágil”, tais agressões ainda são persistentes na sociedade. Diante disso, valida-se a discussão acerca do assédio sexual como intensificado pelo viés histórico-cultural, acarretando a permanência do desrespeito à fração social feminina.
Em primeira análise, a questão histórico-cultural do assédio ao gênero feminino, é uma das principais causas que dificultam a erradicação dessa forma de violência. Nessa perspectiva, em território nacional, o desrespeito à classe pode ser visto na obra “O tempo e o vento”, de Érico Veríssimo, a qual expõe a naturalidade dos abusos contra as mulheres cometidos, sejam escravas ou de famílias de prestígio, ao longo da trama e de sua cronologia (século XVIII até XX). Em vista disso, é possível visualizar como os atos agressivos e a inferiorização das mulheres estão ainda presentes no meio social devido ao legado deixado pela história e construção cultural marcada pela desvalorização feminina.
A posteriori, o fator temporal trouxe como consequência, a continuidade dos abusos e uma resistência de mentalidade do grupo masculino em erradicar tais ações. Nesse ínterim, segundo pesquisas do Datafolha, quase 90% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio sexual, inclusive na infância e na adolescência, corroborando a situação recorrente de ataques ao público do gênero feminino, mesmo na sociedade hodierna. Destarte, haja vista os números elevados dos casos de ataques de cunho sexual às mulheres pelos indivíduos masculinos, constata-se que essa violência permanece sem a atenção devida e, principalmente, carregando um legado deixado por séculos de brutalidade.
Depreende-se, portanto, que os desafios para o combate do assédio sexual é uma problemática que precisa ser sanada. Assim, é fundamental que o Poder Público, juntamente à Organização das Nações Unidas (ONU) e ONGs a favor da mulher, promova a criação de campanhas de educação social à população, em escola e ambientes de trabalho, compostas de palestras e debates, bem como o desenvolvimento de propagandas engajadas nos principais veículos de comunicação – TV, rádio e Internet –, que incentivem todos os indivíduos a identificarem os abusos no cotidiano e denuncia-los. Tal medida aparece com o intuito de reduzir os casos de assédio contra as mulheres e combater a herança histórico-cultural presente na sociedade.