Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 18/05/2019

O filósofo prussiano Immanuel Kant, por meio do conceito do imperativo categórico do fim em si mesmo, defende o respeito à autonomia do indivíduo quanto às suas vontades. De maneira análoga, o assédio sexual amplamente realizado no contexto brasileiro diverge dessa ideia, apresentando-se como uma ação não consentida e violenta para as mulheres. Sob esse viés, o escasso suporte da comunidade e a contínua desvalorização da figura feminina configuram-se como desafios para minimizar a ocorrência dessa anomalia relacional. Logo, urgem medidas engajadas dos agente adequados, com o escopo de superar essa deturpada conjuntura.

Efetivamente, o diminuto amparo da sociedade para com situação da vítima feminina potencializa essa questão, na medida em que evidencia um cenário de negligência e de falta de empatia. Isso é comprovado, sobretudo, na insuficiente ou inexistente repreensão mútua de colegas e conhecidos durante o assédio, o qual é disfarçado muitas vezes na forma de elogios e de “cantadas”. Além disso, verifica-se o recorrente compartilhamento em massa de cenas de nudez em ambientes virtuais, como “WhatsApp” e “YouTube”, atitude que é tipificada, também, como crime pela Lei da Importunação Sexual. Tais ações, por conseguinte, corroboram a objetificação da mulher e estimula um quadro de humilhação e de vulnerabilidade, o que afeta decisivamente a saúde mental e a personalidade das vítimas.

Ademais, ressalta-se que a persistente desvalorização da figura feminina intensifica a situação de assédio sexual, a qual possui raízes históricas que foram naturalizadas e fundamentadas no machismo e no patriarcalismo. Nesse sentido, observa-se qua a mídia contribui para perpetuação dessa visão retrógrada da superioridade do homem sobre a mulher, principalmente, em novelas que relativizam, muitas vezes, inconvenientes atos libidinosos nas relações interpessoais, a exemplo da novela “O outro lado do Paraíso” que aborda o assédio sexual no trabalho. Em face disso, notam-se alarmantes impactos na harmônica  convivência  social e a inviabilidade de autonomia da vítima defendida por Kant.

Destarte, é essencial modificar essa adversa situação brasileira. Para tanto, é impreterível que a família, importante instituição formadora de caráter, mediante diálogos frequentes, aborde a temática em questão, desestimulando práticas que contribuam para humilhação das vítimas e incentivando a advertência de pessoas que realizem atitudes obscenas sem consentimento, a fim de possibilitar uma redução dos casos de assédio sexual no Brasil. Concomitantemente, é imprescindível que as mídias de amplo alcance tratem a questão do assédio encorajando, por exemplo, a prática da denúncia e a valorização da mulher na sociedade, com o fito de alterar a visão machista existente e minimizar casos como o ocorrido em “O outro lado do Paraíso”.