Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 04/06/2019

A filósofa alemã Hannah Arendt demonstra o conceito de banalidade do mal no seu livro “Eichmann em Jerusalém”, em que define tal expressão através do exemplo do holocausto, pois o mal praticado contra os judeus foi aceito e banalizado pela maioria da população da Alemanha, que consequentemente transformou a eugenia nazista em algo comum. A partir dessa ideia, infere-se que a banalização do mal possibilita que gestos agressivos, como assédios sexuais contra mulheres se tornem comuns, o que desencadeia uma série de atos violentos contra as mulheres. Nesse sentido, cabe analisar os desafios para diminuir os casos de assédio sexual, o qual ocorre devido não só a cultura machista, mas também à falta de denúncias contra assédios sexuais.

Em primeiro lugar, a cultura machista impede a redução dos crimes sexuais. Isso pode ser verificado através dos dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em que demonstram que mais de 17 mil feminicídios ocorreram de 2009 a 2011. Tais números reforçam a ideia de que alguns homens, devido a cultura machista, se sentem “donos” das mulheres e as tratam como objetos. Nesse sentido, para combater a cultura machista que priva a liberdade da mulher, faz-se necessário que a sociedade vá de encontro ao pensamento do filósofo liberal Stuart Mill, em que ele diz: “Sobre seu próprio corpo e mente, o indivíduo é soberano”.

Em segundo lugar, a falta de denúncias corrobora para a permanência do problema. Isso pode ser analisado no polêmico caso do magnata de Hollywood, que foi acusado por mais de 70 atrizes de assédio sexual, mas por se sentirem acuadas por possíveis retaliações evitaram inicialmente realizar as denúncias. Nesse sentido, casos como esse revelam que a superioridade física, social ou até mesmo financeira inibe as vítimas de denunciarem, por causa do medo de serem expostas. Dessa forma, a falta de denúncias inviabiliza a punição, o que muitas das vezes corrobora para a pratica do crime por parte do agressor, logo urge a necessidade de superar tais desafios.

Portanto, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para que a vítima se sinta acolhida para realizar as ocorrências, urge que o Governo Federal agilize o processo de investigação, por meio da criação de uma central de atendimento de denúncias virtuais. Além disso, a plataforma digital terá como intuito o combate a cultura machista através da divulgação de conteúdos informativos sobre o tema. Somente assim, a mulher irá se tornar um indivíduo soberano de corpo e mente, indo de encontro com o pensamento do filósofo Stuart Mill.