Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 05/06/2019

Segundo George Santayana “Aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo". Em partida de sua concepção é notório relembrar o período escravista, ao qual muitos senhores assediavam sexualmente suas escravas negras, além de praticarem o pior dos atos perversos contra a integridade feminina, o estupro. Infelizmente, esse episódio não é contrastante à atual sociedade contemporânea, cujo o machismo e o patriarcalismo ainda imperam socialmente, a ponto da visão de que a mulher deve “satisfazer” as vontades masculinas ainda persiste no hodierno cenário brasileiro, a ser esses os pilares que dão ênfase à problemática. A priori, a cultura do machismo está demasiada dissociada em todos os setores da sociedade. Comumente em qualquer noticiário, desde os locais aos de nível nacional, notícias sobre práticas perversas contra o gênero feminino são frequentes e em sua grande maioria, ocasionada diretamente por conta do machismo existente no meio social. Ademais, a suposta concepção de que o homem é superior a mulher e pode fazer o que bem entender com a mesma, gera inúmeras perversidades desde o estupro até mesmo assédios descarados em pleno ônibus coletivo e faz acender uma alerta sobre a segurança da mulher em sociedade. Dados extraídos do Ministério da Saúde apontam que cerca dos 70% dos casos de assédio sexual em conjuntura com o abuso sexual que foram denunciados são de crianças e adolescentes. Outrossim, outro entrave para que o problema seja minimizado é o fato de que muitas das vítimas não denunciam quando casos como esses acontecem. Consoante a isso, fatores que contribuem para essa condição são o medo de ser julgada socialmente, ameaças feitas pelo próprio abusador, podendo ser esse um chefe de trabalho ou até mesmo alguém de confiança, da própria família. Além disso, outro assunto que não se é muito debatido, são os casos de estupros maritais, aqueles causados pelo próprio marido ou cônjuge, ao qual independente se esse tem uma união estável com a mulher, se a relação não for consensual é também caracterizada como estupro. Além do mais, algo que choca é que infelizmente em muitos países o ato sem consentimento entre esses não é considerado crime, por conta de todo o estigma criado sobre a mulher como já ressaltado antes, a exemplo de que dos 193 países que integram a ONU, só 52 criminalizam essa ação de violação da mulher. Destarte, medidas devem ser tomadas a fim de mitigar o impasse. Dessa forma, cabe ao Estado em parceria com o Ministério de Segurança Pública criar delegacias especializadas em crimes contra a integridade da mulher, a contar com psicólogos e demais profissionais que venham somar para o combate desse crime, além de ampliá-las por todo território nacional por meio de decretos, com o intuito de que as mulheres se sintam protegidas pela lei e que percam o medo de denunciar o abusador. Cabe também à Mídia realizar campanhas sobre o assunto através de comerciais que tenham o poder de reflexão sobre o problema e mostrem os dados alarmantes dos casos que acontecem pelo país, além de promover o debate do assunto por meio de novelas, já que também é um importante veículo de massa, que também é costume de muitos assisti-las como entretenimento e agora também como fonte de conhecimento e senso crítico sobre o problema. Espera-se com isso, tornar a sociedade mais justa e mais próxima daquela refletida nos Direitos Humanos.