Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 27/06/2019
“Se podes olhar, vê, se podes ver, repara”, a citação inicial da obra " Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, retrata uma sociedade alheia aos diversos problemas sociais o que torna a reparação da problemática uma utopia. De maneira análoga, a frase pode ser contextualizada hodiernamente, uma vez que há desafios para reduzir os casos de assédio sexual. Nesses termos, é imprescindível analisar essa mazela, seja por um viés histórico, seja por uma perspectiva econômica.
Decerto, as instituições sociais colaboram para a persistência do machismo que pode ocasionar o assédio sexual. Esse fato acontece porque, apesar dos avanços sociais conquistados para as mulheres, esse grupo ainda é estereotipado como submisso aos homens, de modo que comentários ofensivos ao corpo feminino em ambientes públicos tornou-se tão corriqueiro que muitos consideram quase una cultura marginalizada do Brasil. Isso é explicado pela teoria da Tábula Rasa, do filósofo Jonh Locke, pois, se valores arcaicos continuam a serem transmitidos às novas gerações, esse impasse tende a perpetuar. Em decorrência dessa errônea ideologia de poder sobre o corpo feminino, não é raro a mídia noticiar diversos casos de violência sexual, como estupros. Nessa óptica, pensar na evolução do país diante dessa desordem estrutural é demonstrar ingenuidade.
Outrossim, compreende-se que o assédio sexual fica ainda mais danoso quando se explicitam as sequelas advindas de um abuso de poder. Exemplo disso são os casos de perseguição no ambiente de trabalho, fato retratado na música “Secretária”, de Amado Batista. Como consequência disso, as vítimas tendem muitas vezes a desistir de buscar um conhecimento profissional, ou cedem involuntariamente pela total dependência financeira. Logo, é preciso reparar o problema dissertado para que a coletividade não permaneça inerte, como a população do livro de Saramago, com a finalidade de alcançar uma intervenção imediata.
Portanto, para objetivar “Ordem e Progresso” - lema nacional- é preciso minimizar, quiçá erradicar, os desafios para diminuir o assédio sexual. Para tanto, é urgente que estudantes universitários de psicologia e de ciências sociais realizem parcerias com instituições de ensino médio com o propósito de transmitir mais conhecimento sobre o tema, pois com informações os jovens poderão desconstruir estereótipos impostos. Essa empreitada social deve acontecer por intermédio de atividades lúdicas, como rodas de conversa com a participação interativa dos alunos, com o intuito de prevenir o assédio tanto em ambiente público quanto dentro do mercado de trabalho.