Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 06/07/2019
“Hoje a noite se prepare…Eu vou lhe usar” dizia o coronel Jesuino à sua esposa Sinhazinha na novela Gabriela, exibida em 2012 pela Rede Globo, cuja frase, deixava explícito a extrema objetificação da mulher fazendo parte da cultura brasileira. Fora da ficção, percebe-se a real presença de um grande índice de assédios sexuais cometidos por homens majoritariamente, tornando-se um verdadeiro entrave ao rompimento de barreiras sociais em relação à gêneros. Assim, a banalização do assédio presente nas mídias cujo desencadeia a “cultura do estupro”, somada com o machismo intrínseco na sociedade, corroboram para o agravamento do quadro vigente.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que a mídia fortalece a papel da mulher como objeto. Tal fato, é perceptível à medida que em muitos comerciais de TV, as mulheres constantemente aparecem como figuras sexuais e com vestimentas curtas com o intuito de influenciar o público a comprar algum produto, já nas novelas, muitos são os casos no qual as mulheres são tocadas sem consentimento e colocadas em situações constrangedoras pelos homens. Logo, indubitavelmente a mídia fortifica a “cultura do estupro”, já que a mesma fornece um entendimento ao homem de superioridade e liberdade em relação as mulheres fortalecendo o assédio sobre às mesmas.
Ademais, o machismo presente na sociedade brasileira influencia diretamente no aumento dos casos e assédios sexuais no país. Segundo dados fornecidos pela campanha Chega de “fiu fiu” mostra que 85% das entrevistadas já tiveram seus corpos tocados sem permissão em espaços públicos, além disso, cerca de 22% da população culpa a vestimenta que mulher traja, afirmando que o uso é para provocar os homens. Outrossim, muitos mulheres já relataram serem vítimas de assédio em locais de trabalho- tendo por exemplo o produtor de cinema Harvey Weinstein que foi acusado de assediar e estuprar várias atrizes durante a produção de seus filmes. Portanto, fica claro que o machismo presente no atual quadro, afeta inúmero âmbitos da sociedade.
Portanto, torna-se necessário medidas para atenuar esse impasse. Logo, a mídia, principal veículo de comunicação da atualidade, deve de imediado, promover mudanças no papel da mulher nos comerciais de TV e em novelas, por meio da não apelação da figura feminina em suas propagandas somada com o uso das telenovelas com o objetivo de influenciar a sociedade a denunciar esses crimes. Também, a escola tem um papel indispensável na formação dos indivíduos, assim, a mesma deve promover campanhas educacionais abertas para a sociedade, com o intuito de mudar a mentalidade por meio da razão, assim, irá minimizar o nível do machismo e da superioridade presente no âmbito social, possibilitando um melhor convívio entre as pessoas de diferente gêneros.