Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 04/07/2019

Na Grécia antiga, a figura feminina era vista como objeto que servia apenas para satisfazer as vontades masculinas. Frustra constatar, porém que essa objetificação da mulher ainda persiste na sociedade contemporânea e fornece espaço para o surgimento de novas vertentes de preconceito e violência, como o assédio. Tal problemática deriva, sobretudo, da herança histórico-cultural e da negligência do poder público.

É relevante enfatizar, a princípio, que a herança histórico-cultural é a principal responsável pela persistência do assédio na sociedade brasileira. Isso acontece porque, desde o período colonial, foi estabelecido uma hierarquia patriarcal, o qual submetia as mulheres da família, submissa aos homens, pai, irmãos e marido. Conforme defendeu Confúcio, filosofo chinês, não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros e é por esse motivo que, lamentavelmente, o pensamento patriarcal ainda persiste e naturaliza-se nos dias atuais pois não há uma tentativa efetiva de solucionar esse problema dentro de casa e das escolas.

Atrelado a herança histórico-cultural, a negligência do poder público também é um problema a ser superado. Isso porque, apesar da existência da lei que torna crime o assédio, os casos ainda são comuns, prova disso é que, segundo uma pesquisa do DataFolha 42% das mulheres já sofreram com assédio sexual. Por conta da falta de providencias do poder público, é gerado um forte sentimento de impunidade. As ofensas á dignidade do outro podem causar danos físicos e mentais, como a depressão e o medo de se relacionar, de diversas maneiras, com outras pessoas.

Torna-se evidente, portanto que o patriarcado e a falha do poder público geram a problemática em questão. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, promova aulas e palestras a respeito da temática do assédio, desde o fundamental até o ensino superior. Ademais, é necessário que o Governo Federal disponibilize investimentos para a criação de órgãos que fiscalizem, de maneira eficiente, os casos de assédio, para que haja uma punição correta e fique para trás o atual panorama de impunidade. Assim, as atitudes que persistem desde a antiguidade, poderão ser extinguidas.