Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 07/07/2019
Simone de Beauvoir dizia que as mulheres eram mulheres porquê se tornavam mulheres. Ou seja, nasciam biologicamente femininas, mas, em razão de uma violência simbólica e corruptiva, tinham de tolerar, de forma silenciosa, agressões verbais ou físicas oriundas de homens. No Brasil, por exemplo, segundo o Atlas da Violência 2019, as mulheres sofreram 60 mil estupros e 5 mil feminicídios, e, embora se reconheça essa detestável realidade, a violência em razão do sexo continua a crescer ano após ano.
Com efeito, trata-se de uma cultura machista arraigada na sociedade. De fato, as ilustrações sobre o assunto são fartas na história, vistas desde obrigações religiosas de usar cinturões de castidade na Idade Média até narrativas infantis contemporâneas de Walt Disney, cujas princesas dependiam de homens provedores. Ademais, o ideário vilipendiador é tão forte que uma parte das próprias mulheres defendem homem machistas, como a francesa Catherine Deneuve que se posicionou contra o #MeToo.
Aliás, o tema passa a ser mais chocante quando se percebe a sua extensão e banalização. Na década de 90, os estupros e assassinatos do Maníaco do Parque foram referência, mas, nas décadas seguintes, os homens perderam a estribeira e passaram a se esfregar ou a ejacular em mulheres em ambientes públicos (como metrôs). Além disso, pipocaram inúmeros casos no cinema (incluindo famosas como Angelina Jolie e seu produtor Harvey Weinstein). Será se chegaremos na institucionalização da violência contra a mulher tal como foi retratado no seriado o Conta da Aia?
Portanto, tendo-se em vista a situação instalada, é preciso que o Estado Brasileiro tome providências. É necessário que o Ministério da Educação ministre cursos de instrução aos professores da rede básica, de modo que possam lecionar às crianças brasileiras, desde pequeninas, valores imperativos de respeito na convivência entre os sexos. Além disso, é importante que o Estado prenda e condene criminosos, disponibilizando às Polícias Civis um disque denúncia que poderá ser divulgado em ônibus ou metrôs. Dessa forma, criar-se-á mulheres genuinamente dignas.