Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 22/07/2019

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, disse Simone de Beauvoir ao escrever O Segundo Sexo, no qual atentou-se em explicar o conceito de feminilidade, assim como diferenciar gênero, sexo e sexualidade. Dessa forma, ao afirmar que a condição de ser mulher é construída por padrões impostos pela sociedade, exclui-se a ideia de obrigações inerentes ao sexo feminino, como: cuidar dos afazeres de casa, possuir vontade intrínseca em ter filhos ou ser julgada pela afetividade. A discussão acerca dos desafios para reduzir os casos de assédio sexual esta fortemente ligada ao conservadorismo criticado por Beauvoir, que coloca em risco a autonomia da mulher e contribui para manter a autoridade do patriarcado.

Por conseguinte, segundo o jornal A Folha, cerca de 42% das mulheres relatam ter sofrido assédio sexual, tal qual são os dados sobre o feminicídio que cresceu 12% em relação ao ano passado e registra 1 morte a cada duas horas no Brasil. À vista disso, compreende-se que a motivação é baseada exclusivamente pelo gênero que, de acordo com Beauvoir, caracteriza-se por ser uma criação do corpo social na tentativa de desprezar o alcance cognitivo da mulher. Com isso, a Agência Brasil aponta um dado significante: mais da metade das mulheres entre 14 e 21 anos têm medo de assédio.

Em consequência, é necessário entender que a maioria dos casos de assédio acontece dentro das casas por membros da família. O Ministério da Saúde relata que houve aumento de 83% de casos encaixados nessa categoria, destaca-se crianças e adolescentes. A exegese de Beauvoir confirma a concepção de que o assediador procura poder e controle em relação ao corpo da vítima, bem como de seu psicológico, ao basear-se no paradigma social de superioridade e racionalidade masculina o que, no entanto, já foi vencido cientificamente.

Portanto, de acordo com as informações expostas, faz-se indispensável tomar medidas capazes de erradicar os casos de assédio. Para isso, defende-se ações a curto e a longo prazo, sendo que a primeira baseia-se na elaboração de leis mais rígidas pelo Legislativo em conjunto com a comunidade e a efetivação de prisões com mais eficácia pela Policia Federal; já a segunda fundamenta-se em um investimento massivo por parte do Ministério da Educação e o Ministério da Saúde em aulas sobre sexualidade e machismo  Pois, para que hajam mudanças permanentes, é preciso aplicar os esforços primordiais para instruir sobre equidade entre os gêneros e garantir uma convivência social esteada em liberdade e autonomia dos indivíduos.