Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 27/07/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O impasse descrito por Carlos Drummond de Andrade, assemelha-se aos desafios para reduzir os casos de assédio sexual enfrentados no Brasil. Nesse sentido, a problemática baseia-se em dois pilares: a cultura machista, bem como a impunidade apresentada aos criminosos .
Em primeiro análise, cabe ratificar a cultura do estupro que justifica e banaliza a violência sofrida pelas mulheres. Nesse contexto, a cultura machista remete a ideia de que o valor da mulher está intrínseco as suas condutas morais e sexuais, embora a figura feminina seja a vítima. Em virtude disso, a mulher é culpada por sofrer abusos. Como mostram dados do IPEA, em que cerca de 56% dos entrevistados concordam total ou parcialmente com a afirmação " se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Fator esse que intensifica os desafios para aplacar a violência para com as mulheres .
Além disso, cabe pontuar a Constituição Federal, que configura como crime o abuso moral, sexual e verbal. Contudo, o sentimento de culpa, por parte das mulheres, como também o medo da vítimas para com os violentadores, reflete na dificuldade de punir os abusadores. Segundo dados do IBGE, cerca de 50 mil brasileiras registam casos de abuso todos os anos. No entanto, esse número representa apenas 10% do total de vítimas.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar essa problemática. Para tal, cabe aos órgãos midiáticos a criação de campanhas que intensifique a conscientização a respeito do número de vítimas de violências sexuais, por meiode verbas governamentais, a fim de aplacar os desafios no que se refere ao abuso. Ademais, cabe ao Ministério da Mulher em parceira com o poder legislativo a criação de leis mais severas que punam os abusadores, além de garantir o anonimato das vítimas, por meio de verbas públicas, com o intuito de punir de forma efetiva os criminosos.