Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 13/08/2019
“O ser humano é aquilo que a educação faz dele”, já afirmava o filósofo Kant, a fim de mostrar que a conduta e atitude de um indivíduo é baseada no que lhe foi ensinado. Nessa perspectiva, os homens são precocemente estimulados a terem uma vida amorosa aflorada e a partir disso, olham para mulheres de forma desrespeitosa embora, infelizmente, não considerem como desrespeito. No entanto, essa conduta tem causado desconforto para muitas meninas não só no ambiente de trabalho, como também em lugares públicos. Verifica-se, portanto, que a manutenção de uma educação machista somada a transgressão às leis são desafios encontrados para vencer esse assédio.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que há uma cobrança diferente determinada pelo sexo das pessoas e que interfere fortemente no comportamento social. Nesse sentido, considerando-se uma sociedade pautada em costumes patriarcais, meninas são ensinadas a serem submissas a seus maridos, enquanto meninos são criados para comandar e objetificar mulheres. Assim sendo, homens desenvolvem hábitos desrespeitosos perceptíveis no cotidiano, bem como assoviar, cantar ou até mesmo passar a mão no corpo das vítimas sem consentimento e não obstante, elas são obrigadas a ouvir comentários como “homem é assim mesmo” ou “é só uma forma de elogio”. Contudo, é uma situação extremamente desagradável para qualquer garota, como aponta a campanha “Chega de Fiu Fiu” a qual mostra que menos de 20% das mulheres não se incomodam com cantadas nas ruas.
Deve-se abordar, ainda, parafraseando o filósofo Pitágoras, a importância da educação das crianças para que não seja necessário punir os homens. Entretanto, ainda há homens que passam dos limites e desrespeitam o espaço das mulheres, por exemplo, quando usa-se o vagão feminino no trem, ônibus ou metrô. Ou seja, devido as raízes educativas machistas, ainda urge a necessidade de penalizar muitas pessoas -por isso a decretação que tornou assédio sexual crime - visto que há uma persistência em transgredir leis. Nesse ínterim, fica mais claro entender que para que haja uma transformação completa da sociedade e não apenas atitudes análogas ao trabalho de Sísifo, isto é, que não gera bons resultados, deve-se focar em uma mudança educacional, posto que, é a base do problema.
Por isso, com o intuito de acabar com o assédio sexual no Brasil, é imprescindível considerar a Educação como ferramenta principal. Cabe às escolas, portanto, investir em aulas que ultrapassem a visão conteudista em que objetiva-se, por meio de palestras com profissionais qualificados como, psicólogos, mostrar que o modelo familiar patriarcal é ultrapassado e viola o direito das mulheres. Assim, desde a tenra idade, os meninos desenvolverão um senso de respeito e, logo, poderão diminuir os casos de importunação sexual e, por fim, o Brasil será uma sociedade mais justa.