Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 23/08/2019
No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina. Nos dias atuais, a escritora nigeriana Chimamanda alega que o problema do gênero consiste em descrever como devemos ser, em vez de reconhecer quem somos; o que comprova um modelo arcaico enraizado na sociedade. Neste sentido, a cultura de assédio no Brasil é fruto de reflexos históricos e, para garantir o respeito e liberdade à mulher, intervenções
Primeiramente, ao longo da formação do território brasileiro, o patriarcalismo sempre esteve presente, como por exemplo na posição do “Senhor do Engenho”, consequentemente foi criada uma noção de inferioridade da mulher em relação ao homem. Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até desrespeitosa. Em 2016, a revista “Veja” entrevistou a esposa do deputado Michel Temer, em uma reportagem intitulada como: “bela, recatada e do lar”. Tal título unifica o papel da mulher, pois o machismo justifica que aquelas que desviem deste padrão ao usarem roupas curtas e saírem desacompanhadas estão propícias ao abuso.
Além dessa visão segregacionista, a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colaboram com a permanência das inúmeras formas de agressão. Nas ruas, festas e até no ambiente de trabalho, as puxadas no cabelo e as tentativas de reprimir a vítima à violência sexual são ações que se naturalizaram, já que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres. Segundo pesquisa dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, 97% das mulheres já sofreram algum tipo de assédio. Com o propósito de engajar jovens e adultas contra a sensação de impunidade, campanhas virtuais como “Meu Primeiro Assédio” e “Vamos juntas?” percorreram o Facebook e o Twitter a fim de denunciar as opressões vividas, trocar experiências e atrair a atenção da mídia e das pessoas para conterem esse mal.
Pode-se perceber, portanto, que as raízes históricas e ideológicas brasileiras dificultam a erradicação do assédio contra a mulher no país. Para que essa erradicação seja possível, é necessário que as mídias deixem de utilizar sua capacidade de propagação de informação para promover a objetificação da mulher e passe a usá-la para difundir campanhas governamentais para a denúncia de agressão e abusos contra o sexo feminino. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo crie um projeto de lei para aumentar a punição de agressores e assediadores, para que seja possível diminuir a reincidência. Quem sabe, assim, o fim do assédio deixe de ser uma utopia para o Brasil e tenha o reconhecimento do livre-arbítrio feminino, como anseia Chimamanda.