Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 30/08/2019

No contexto histórico brasileiro, as mulheres sempre foram apresentadas como coadjuvantes. Nesse sentido, as mulheres eram responsáveis somente pelos deveres do lar, dos filhos e ao papel de submissão perante aos homens. Já no contexto atual, apesar dos progressos que colocaram as mulheres como cidadãs na sociedade, a cultura do machismo e a culpabilização feminina intensificam à persistência do assédio sexual no século XXI.

Convém ressaltar que o Brasil é grande palco da cultura do machismo. Prova disso, está certamente nos inúmeros casos de assédios sexuais. Nesse contexto, o enraizamento do machismo na cultura brasileira banaliza, legitima e justifica a violência contra as mulheres. Ademais, a disseminação de que o homem possui relação de posse e poder sobre as mulheres fundamenta os assédios, que segundo o Datafolha, 42% das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual no trabalho, nas ruas, nas escolas e até mesmo dentro de casa.

Outrossim, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade age no condicionamento social dos indivíduos. Relacionando com a temática, a disseminação da ideia de que o valor da mulher está ligado intrinsicamente com as suas condutas sexuais e comportamentais, lhe torna, consequentemente, culpada por possíveis violências sexuais sofridas. Em outras palavras, a mulher assume responsabilidade pelos assédios sofridos quando sai de casa com uma roupa curta ou quando desperta “olhares” de admiração e cobiça.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser realizadas para que os abusos sexuais contra as mulheres sejam tratados com seriedade e verdadeira importância. Mormente, é necessário que a cultura do machismo passe por uma desconstrução. Para isso, é indubitável que o primeiro passo seja no âmbito familiar, diálogos entre pais e filhos que fomentam a igualdade e a importância da mulher na sociedade. De outra parte, as empresas de telecomunicação devem criar, por meio de seus profissionais especializados, programas e propagandas que incentivem e apoiem as mulheres nas denúncias contra os assédios sofridos. Dessa forma, a sociedade contemporânea amenizará a luta diária de milhares de brasileiras que sofrem caladas e oprimidas.