Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 10/10/2019

Em “O Conto de Aia”, romance de Margaret Atwood, é retratado um futuro distópico no qual, devido o drástico aumento das taxas de infertilidade, as mulheres são tidas como meras barrigas de aluguel no Estado teocrático de Gilead, sendo constantemente oprimidas e violentadas. Analogamente, a obra traz uma perspectiva sobre os desafios no combate do assédio sexual no século XXI, sendo isso um reflexo da consolidação de uma cultura de estupro dentro de uma sociedade caracterizada pela inferiorização da figura feminina. Dessa forma, torna-se necessário encontrar caminhos para reverter essa situação.

Primordialmente, convém investigar como a herança histórica contribui na construção de hábitos machistas. Consoante a isso, foi durante a Revolução Francesa, uma época de luta pelos ideais de liberdade e igualdade, que Olympe de Gouges escreveu a “Declaração dos direitos da mulher e da cidadã”, criticando a desigualdade de gênero e exclusão do suposto sexo frágil da democracia. Nesse sentido, o processo de submissão feminina é inevitável em uma conjuntura marcada pela dominação política masculina ao longo da história, sendo esse um dos fatores que contribui na naturalização do comportamento de um assediador ao tentarem mascarar suas atitudes abusivas como meras piadas ou brincadeiras.

Outrossim, a alienação midiática também está relacionada ao fato da população não ver problema nas insinuações de caráter erótico. Nesse contexto, é válido citar o filósofo Pierre Bordieu, que discursa sob como aquilo que foi criado com o intuito de ser instrumento de democracia não deve ser convertido em ferramenta de manipulação. Mediante o elencado, a mídia constantemente é responsável por trazer uma visão deturpada da situação, banalizando a agressão ou culpando as vítimas, construindo, assim, a cultura do estupro dentro do Brasil, a qual faz com que muitos homens sintam-se no direito de praticarem a impertinência sexual.

Em virtude do que foi mencionado, é evidente que o quadro atual carece de intervenções imediatas. Sendo assim, para que as próximas gerações não estejam acorrentadas aos ideias machistas característicos de uma sociedade patriarcal, cabe ao Ministério da Educação (MEC), aliado da ONU Mulheres, instaurar reformas no sistema de ensino e, por meio da criação da disciplina de Direitos Humanos das Mulheres, desconstruir a visão da supremacia masculina ao incentivar os estudantes a realizarem rodas de discussão, debates e apresentações sobre o assunto, o qual deve estender-se a esfera familiar. Somente assim será possível combater o assédio sexual de forma efetiva no país, além de garantir que o futuro dessa parcela da população seja diferente do cenário de desvalorização e violência retratado na obra fictícia de Margaret Atwood.