Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 28/02/2020
O assédio é caracterizado por uma coerção física ou verbal de conotação sexual. Esse tipo de situação, atualmente, é mais recorrente às mulheres por causa da herança machista do antigo patriarcalismo no Brasil colônia, período o qual os homens possuíam poder sobre questões relativas à família e principalmente às mulheres, incluindo as escravas. Diante dessa perspectiva, pode-se afirmar que o assédio é uma agressão moral e influencia um outro comportamento, o estupro.
Primeiramente, observa-se que o assédio sexual é uma forma de violação moral. Isso se deve ao fato que a vítima começa a sofrer uma constante pressão psicológica e sentimento de insegurança, evidenciada pela mudança de rotina ou de espaços frequentados e ,até mesmo, no vestuário. Um exemplo desse fato, é a atleta Ingrid de Oliveira que recebeu comentários após a postagem de uma foto em que se encontrava de costas, em um de seus treinos, e, posteriormente, deu o depoimento que não divulgaria mais fotos do tipo. Vale ressaltar que ainda existe o comportamento de inferiorização da mulher. Isso é notável a partir de, por exemplo, inúmeros comerciais televisivos, como os de cervejaria, que usam a mulher para tornar o produto mais atrativo pois, a sociedade ainda possui a ideia que esse gênero é mais passível e delicado.
Outrossim, o assédio por comentários de teor obsceno e até toques inapropriados ocorrem, majoritariamente, em espaços públicos e podem vim a corroborar com o estupro. Sobre o assédio sexual em espaços públicos, a ONG Think Olga iniciou, em 2014, a campanha “Chega de Fiu Fiu”, a qual defende que as “cantadas” na rua não são elogios, mas formas de intimidação e ,em uma pesquisa realizada, mostrou que 85% das vítimas já tiveram toques corporais sem o consentimento. Essas interações invadem o espaço da mulher, objetificando-a e provocando reações como constrangimento e vergonha. Por sua vez, o sentimento de medo da vítima pode encorajar o agressor a iniciar aproximações forçadas, as quais são forte indício do início de um possível estupro.
Portanto, para reduzir esses casos de desrespeito à mulher, as escolas devem promover uma educação voltada para esse eixo, de modo que seja abordado em sala de aula, palestras, redações e eventos sociais, com o objetivo de disciplinar o indivíduo desde pequeno e condenar de uma vez por todas esse comportamento. Ademais, o Estado pode criar uma lei que delegue a função, aos vigilantes das câmeras de locais públicos, de encaminhar ocorrências filmadas para os órgãos responsáveis, como o departamento de polícia da cidade. Essa ação, deve ser feita mesmo que a mulher não procure prestar o boletim de ocorrência, ou seja, deve ser feita em vontade alheia à vítima. Talvez assim, a inibição desses atos malfeitores seja mais abrangente.