Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 25/09/2019
“Respeito é uma via de mão dupla”. Ou, pelo menos, deveria ser. Há em nossa sociedade uma tendência quase que concretizada - que parece ecoar no restante do mundo - de banalizar a violência, sobretudo quando diz respeito às mulheres. Não são raros os relatos de abusos e ofensas que as brasileiras - e brasileiros, embora em menor escala - sofrem nas ruas do país. Essa violência psicológica, e às vezes física, causa, além do constrangimento, um sentimento de impotência e inferioridade. É preciso, então, que se problematize e busque soluções para esse inconveniente cultura de assédio.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a forte carga cultural presente nesse comportamento. Isso ocorre, pois, desde os tempos de Brasil Colônia, há uma reprodução massiva dos valores de machismo e patriarcalismo, subjugando a mulher. Apesar das recentes conquistas, ainda podemos ver reflexos desse modo de agir e pensar em pleno século XXI. Prova disso é o assustador percentual passado por situações constrangedoras, segundo pesquisa da campanha “Chega de Fiu-Fiu”, promovida pelo blog Think Olga - e que se assemelha ao número encontrado em consulta feita nos EUA.
Além disso, convém observar que há uma tendência de culpabilizar a vítima pela ofensa. Isso se apoia na objetificação do corpo que é reforçada pela mídia. Na polêmica pesquisa do Ipea sobre o estupro, mesmo após a correção dos dados, uma parte expressiva da população considerava que a culpa do ocorrido era da mulher, devido à forma de se vestir e comportar. Observamos, então, uma inversão de valores na sociedade que acaba por deixar a vítima desamparada.
Fica claro, portanto, que o problema dessa cultura tem contornos drásticos. Buscando desconstruir essa situação histórica, cabe à escola incentivar desde o início o tratamento igualitário e de respeito mútuo. A família, por sua vez, pode, além de reforçar tal respeito, mostrar a necessidade de se denunciar tais atos. É papel da mídia, como formadora de opinião, condenar a objetificação e de atuar em parceria com ONGs e movimentos sociais em prol da valorização da mulher. Apenas assim poderemos atingir o respeito como “via de mão dupla” que deve ser.