Desafios para reduzir os casos de assédio sexual
Enviada em 26/09/2019
A comédia francesa “Eu não sou um homem fácil”, de 2018, relata a história de Damien, um homem machista que tem sua vida completamente transformada após se acidentar na rua e, ao despertar, encontra-se em um mundo no qual os papéis de homens e mulheres estão completamente invertidos, e o personagem passa a sofrer os estereótipos de gêneros aos quais fora praticante. Concomitante a isso, tornam-se crescentes as consequências de práticas machistas no Brasil, sobretudo, no aumento de casos de assédio sexual. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
É relevante abordar, primeiramente, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) quanto aos direitos básicos que asseguram o bem-estar, a liberdade e a qualidade de vida da pessoa humana, tais como a igualdade civil, social, política e cultural entre a população, sendo execráveis as ações que culminam na desigualdade ou inferiorização de indivíduos. Contudo, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é claramente refletido no atual cenário brasileiro, que apresenta informações alarmantes quanto ao número de casos de assédio contra o corpo social feminino. Segundo dados divulgados pela Datafolha em 2017, 42% das mulheres brasileiras já foram vítimas de alguma forma de assédio sexual.
Faz-se mister, ainda, salientar as etiologias que promovem a perpetuação da situação no país, tais como as mazelas no âmbito de segurança pública, que não conta com profissionais preparados para atender e auxiliar as vítimas, bem como as débeis penalidades aplicadas contra esses crimes, somadas a herança sexista enraizada na população brasileira. Ademais, de acordo com Simone de Beauvoir, as consequências da sociedade atual estão no fato de que cada indivíduo percebe o outro apenas como meio para as realizações de suas necessidades, negligenciando sua integridade física, emocional e moral, o que intensifica a ocorrência desta ação hedionda.
Infere-se, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que destinam-se a construção de um mundo igualitário a todos. Dessa maneira, urge que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos crie, por meio de verbas governamentais, em conjunto com o setor midiático, campanhas publicitárias que visam alertar e conscientizar a população quanto as formas de assédio, sobretudo sexual, e meios de incentivo a denúncia por parte das vítimas, a fim de romper com a cultura sexista pregada no país. Em demasia, as entidades governamentais devem reformular as medidas de segurança pública, para que esta possa, efetivamente, prover a seguridade de todos os indivíduos.