Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 03/10/2019

Segundo Zygmunth Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais caracteriza a “modernidade líquida” do século XXI. Nesse ínterim, observa-se a instabilidade comportamental entre os sexos opostos, dentre os quais, a mulher sofre por ser o maior alvo de assédio sexual na contemporaneidade brasileira. Com isso, urge refutar as causas dessa problemática, como a postura  dos canais midiáticos em simetria com a deficiente denúncia dos casos sofridos, a fim de solidificar o equilíbrio respeitável nas interações interpessoais no país.

Em primeira instância, destaca-se a má influência midiática como estimuladora do assédio sexual na sociedade brasileira. Segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Consoante ao sociólogo, infere-se que a mídia pode ser encaixada como órgão de obscurantismo social, uma vez que não cumpra seu papel de reverter cenários que afetam a maioria das mulheres. Não obstante, as peças publicitárias estimulam a objetificação feminina, com ênfase nas propagandas de cervejas, nas quais mulheres são hipersexualizadas. Logo, essa indução social da mulher como objeto sexual deverá ser revertida pelos meios de difusão ideológica no país.

Paralelamente a isso, sobressai a falta de denúncia como motor fomentador da contínua agressão à liberdade sexual, principalmente, feminina. De acordo com Immanuel Kant, o indivíduo deve agir conforme a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Nesse viés, depreende-se que o silêncio mediante a prática do assédio sofrida por mulheres dificulta a punição legislativa pelos órgão de segurança, pois se torna impossível combater a violência sexual caso os autores não sejam denunciados pelas vítimas. Diante dessa mudez social, quadros de assédio permeiam ambientes, como os ônibus, diariamente. Portanto, faz-se necessário políticas públicas para maximizar à integridade física e moral das mulheres.

Destarte, entende-se que o assédio sexual é fruto da infusão negativa dos meios de comunicação somada à negligência denunciadora das vítimas no Brasil. Assim, emerge-se imperativo que o Ministério da Justiça proíba, por meio de criação da lei, a divulgação de propagandas que promovam a objetificação das mulheres, com o intuito de desconstruir uma imagem feminina desrespeitosa  pela população masculina. Ademais, competem às secretárias de segurança pública, através de cartazes distribuídos em locais pontuais, como os transportes coletivos, incitarem a prática denunciativa dos importunadores pelas mulheres, com o intuito de aumentar a eficiência punitiva das ocorrências. Desse modo, as relações sociais  serão, gradativamente, harmonizadas.