Desafios para reduzir os casos de assédio sexual

Enviada em 06/10/2019

No século XIX, o Romantismo transmitia, pela representação de personagens literárias, uma conduta de submissão feminina que compactuava com os valores morais do período. Embora passados dois séculos, certas características do contexto romântico remanescem no cenário atual, o que colabora, de certa forma, para práticas que põem as mulheres em patamares inferiores, como o assédio sexual. Nesse cenário, faz-se necessário discutir culturas e comportamentos já banalizados que contribuem para a persistência dessa problemática, trazendo consequências de âmbito variado.

A princípio, observa-se que a presença de uma cultura patriarcal, já enraizada desde o período colonial, facilita a execução do assédio, já que quase sempre as mulheres são as vítimas. O fato de diariamente as mulheres serem importunadas em diversos locais, como metrôs, ônibus e até mesmo nas ruas, cria nelas a sensação de serem práticas banais e rotineiras, mas que, na verdade, não são. Nesse contexto, cabe pontuar a definição de cultura para a antropóloga americana Ruth Benedict, que a define como uma lente através da qual os indivíduos vêem o mundo. Com isso, chega-se à conclusão de que a cultura patriarcal serve como uma lente para a sociedade, porém que filtra a imoralidade de tais práticas, enxergando-as como normais.

Ademais, salienta-se que as implicações do assédio sexual podem ser de domínio tanto físico, quanto psicológico. Os danos físicos, pouco menos comuns que os psíquicos, ocorrem quando o assédio ultrapassa a esfera do dano moral que causa um mero assobio, um toque ou um olhar insistente, e avança para a prática do estupro, que se configura como um crime de violência a mulher. Já os psicológicos, por vezes inconscientes, são gerados pelo constrangimento em público, pela insegurança e pela impotência feminina diante de certa situação adversa. Nesse sentido, as mulheres tornam-se vulneráveis ao desenvolvimento de doenças como a ansiedade e a depressão.

É evidente, portanto, que medidas exequíveis devem ser aplicadas a fim de sanar a problemática do assédio sexual no Brasil. Para isso, o Ministério da Cultura, em parceria com a mídia, deve promover campanhas que visem extinguir a cultura patriarcal que fomenta certas práticas de inferiorização da mulher, a partir de propagandas que critiquem esses comportamentos e conscientize os cidadãos sobre suas imoralidades, visando acabar com a origem do problema e, posteriormente, extinguir os casos de assédio. Ademais, cabe às escolas a orientação e informação sobre as condutas perversas e o que elas podem significar, por meio de aulas e palestras dirigidas aos alunos do ensino médio, com a finalidade de erradicar tais práticas por meio do conhecimento destas e, consequentemente, tornar as mulheres mais atentas para alguns comportamentos que possam ser evitados.